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sexta-feira, 5 de junho de 2026

Meu estilo narrativo


Ao longo dos anos, percebi que meu estilo de narrar RPG não se encaixava perfeitamente nas categorias mais comuns. Eu não sou exatamente um mestre linear, porque não escrevo uma sequência fixa de eventos que os jogadores devem seguir. Também não sou exatamente um mestre sandbox, porque não jogo os personagens em um mundo completamente aberto esperando que tudo aconteça espontaneamente.

Depois de refletir bastante sobre a forma como construo minhas campanhas, cheguei a uma definição que descreve bem meu método: Narrativismo Baseado em Nós com foco em cinematografia.

A ideia central é simples: a história não é roteirizada, mas também não é deixada inteiramente ao acaso. O mestre constrói uma arquitetura de situações interligadas, e a narrativa emerge das escolhas dos jogadores ao atravessarem essa estrutura.

O mestre como arquiteto, não como roteirista

Quando preparo uma campanha, normalmente já sei:

- Quem é o antagonista.

- O que ele quer.

- Por que ele age daquela forma.

- O que está fazendo nos bastidores.

- Quais NPCs podem ajudar ou atrapalhar os jogadores.

- Onde essas pessoas estão.

- Quais eventos estão ocorrendo no cenário.


O que eu não defino é o caminho que os jogadores vão seguir.

Em vez dw escrever uma sequência de cenas obrigatórias, construo uma série de pontos de interesse narrativo. Esses pontos funcionam como nós dentro de uma rede maior.

Cada nó apresenta:

- Um problema.

- Um conflito.

- Uma escolha.

- Possíveis consequências.


A partir daí, os jogadores decidem.

A arquitetura baseada em nós

A estrutura da aventura normalmente se parece mais com uma rede do que com uma linha reta.

Por exemplo:

Os jogadores na sessão 3 de Bloody Hazard: Northwest Taiga (2000), podiam pegar dois caminhos, a delegacia em chamas ou a estrada da zona rural.
Se pegassem a delegacia em chamas, encontrariam muitos infectados pelo hall da modesta delegacia. Mas encontrariam dois presos, uma mulher coreana chamada Wonhee Hwang, jornalista com informações determinantes sobre a GENICORP, um lenhador prisioneiro, ambos pedindo ajuda. Os jogadores poderiam libertá-los, ignorá-los, libertar um e não libertar outro, enfim. Se investigassem a DP, encontrariam os papéis da investigação de Wonhee e também do lenhador. Descobririam que ele é um psicopata, que está preso pelo assassinato de 4 pessoas. Teriam uma discussão moral, libertá-lo ou não? Encontrariam ainda Fayadd, um NPC ajudante que estava no local, mais um braço pras lutas. Na saída, encontrariam soldados da GENICORP eliminando infectados e também testemunahs/sobreviventes.

Se passassem pela zona rural, teriam novamente duas escolhas. Passar pelas fazendas, parte delas em chamas ou pela Guarda Florestal, ambos caminhos levariam a um povoado de sobrevivencialistas religiosos fanáticos, mas um teria menos infectados e mais medicamento e munição, mas pouca variedade de alimentos. O outro teria mais infectados e uma grande quantidade e variedade de alimentos, mas muito mais infectados.

Ao chegar no povoado dos sobrevivencialistas, eles seria instados a ficar um tempo, apenas o bastante pra perceber como o lugar é. Eles descobririam que as mulheres são oprimidas. Mas poderiam salvá-las, ou ingnorá-las. O grupo deicidiu ignorá-las. Um jogador ficou por problemas pessoais com o líder. Nada disso foi roteiro, onde cena A leva a cena B, que leva a cena C. O jogador escolhe o que fazer, e cada escolha tem seu trade-off.

Cada local representa uma situação diferente.

Nenhuma dessas decisões é obrigatória.

O papel do mestre não é empurrar os jogadores para uma escolha específica.

O papel do mestre é tornar cada escolha interessante.

Histórias emergem das decisões

Esse talvez seja o princípio mais importante do Narrativismo Baseado em Nós.

Eu não escrevo a história.

Eu escrevo situações.


A história surge quando os jogadores tomam decisões dentro dessas situações.

A função do mestre é apresentar o conflito.

A resolução pertence aos jogadores.

A importância dos dilemas

Em muitos RPGs, o foco está nos desafios.

No Narrativismo Baseado em Nós, o foco está nos dilemas.


Uma boa cena normalmente apresenta algum tipo de tensão:

- Segurança versus risco.

- Moralidade versus pragmatismo.

- Recursos versus perigo.

- Curiosidade versus sobrevivência.


Quanto mais significativa for a decisão, mais forte tende a ser a narrativa que emerge dela.

O componente cinematográfico

Embora a arquitetura seja o elemento principal do meu estilo, existe um segundo componente importante: a direção artística.

Eu gosto de trabalhar com:

- Imagens.

- Trilha sonora.

- Identidade visual.

- Paletas de cores.

- Referências estéticas.

- Clima emocional.


Esses elementos não substituem a estrutura da aventura.

Eles servem para amplificá-la.

A estética funciona como uma camada adicional de significado.

Ela ajuda os jogadores a sentir omundo, não apenas entendê-lo.

Sessões como episódios

Outro aspecto importante é a forma como encaro cada sessão.

Em vez de pensar apenas em termos de aventura contínua, costumo estruturar as sessões como episódios.

Normalmente existe:

- Uma abertura.

- Um desenvolvimento.

- Um conjunto de escolhas.

- Uma consequência.

- Um encerramento.


Às vezes esse encerramento assume a forma de:

- Um monólogo.

- Uma cena de reflexão.

- Uma montagem narrativa.

- Um cliffhanger.


A intenção é que cada sessão tenha identidade própria e permaneça na memória dos jogadores como uma unidade dramática completa.

O Narrativismo Baseado em Nós ocupa uma posição intermediária entre diferentes tradições de RPG.

Ele não é linear, porque os jogadores possuem liberdade real.

Ele não é um sandbox puro, porque existe uma arquitetura deliberadamente construída.

Ele não é apenas cinematográfico, porque a estética não substitui as escolhas.

Ele não é apenas simulação de mundo, porque existe direção dramática intencional.

Sua principal característica é a combinação entre:

- Arquitetura de escolhas.

- Narrativa emergente.

- Direção atmosférica.


Os princípios do Narrativismo Baseado em Nós

1. Histórias não são escritas; elas emergem.

2. Aventuras são construídas em nós narrativos.

3. Escolhas são mais importantes que eventos.

4. Consequências importam mais que planejamento.

5. O mestre é um arquiteto de experiências.

6. Atmosfera reforça significado.

7. Cada sessão deve possuir identidade dramática própria.

8. O objetivo não é controlar a narrativa, mas criar condições para que ela aconteça.

Conclusão

O Narrativismo Baseado em Nós parte de uma ideia simples:

O mestre não escreve uma história para os jogadores seguirem.

Ele constrói uma rede de situações interessantes, povoa essa rede com personagens, conflitos e dilemas, e então permite que os jogadores descubram qual história existe ali dentro.

A narrativa não está no roteiro.

Ela está nas escolhas.

E cada escolha abre novos nós, novos caminhos e novas histórias possíveis.

sábado, 4 de janeiro de 2025

EPR - Técnicas de Luta para REALITATE 1.5

No Livro Básico na descrição da página 18 e 19 sobre o conhecimento Técnicas de Luta, temos uma descrição bem sucinta de como elas funcionam. No EPR de hoje, porém, vamos ampliar essa abordagem, de forma a apresentar uma mecânica superior de funcionamento.

Alguns prolegômenos antes de adentrarmos nessa seara:

  • Esta é uma regra para aventuras onde a verossimilhança e o realismo são importantes.
  • Qualquer utilização de técnica de luta (judô, boxe, kickboxing, caratê, kungfu e jiu-jitsu) impõe um turno adicional, para além do normal, para sacar a arma no turno seguinte para efetuar um disparo sem redutores. Ex.: Se um personagemd esarmado, aplica um golpe de Boxe, e quer sacar uma arma no turno seguinte, ele precisará gastar 2 turno para sacar. No entanto, ele efetuará um disparo sem redutores. A um custo de 1 ENG, o PJ pode fazer um saque rápido, adiantando esse turno extra e, efetuando assim um disparo rápido no turno seguinte (gastar um turno para sacar a arma apenas, ao invés de dois), mas ele sofrerá uma penalidade de 50% na HAB.

Apenas a técnica de Luta Krav Magá funciona diferente. 

Karatê

  • KRAV MAGÁ
Cada nível de Krav Magá oferece um bônus de +2 que poderá ser distribuído conforme a conveniência do usuário. Ele pode colocar +2 na jogada básica de ataque e aplicar um golpe técnico com seu dano básico convencional ou ele poderá aplicar um golpe forte, dando um golpe sem tanta técnica, mas aplicando o bônus no dano básico. Ele poderá ainda distribuir esses valores entre ambas coisas. Ex.: Personagem X possui Krav Magá 2, ele recebe um bônus de +4, ele pode colocar desses 4, 1 para a jogada básica de ataque e 3 para o dano se quiser, ou o contrário, ou ainda, distribuir igualmente.

Krav Magá é uma técnica que permite que o jogador gaste apenas 1 turno para um disparo sem redutores, se ele gastar 1 de energia ele consegue sacar a arma e atirar no mesmo turno com uma penalidade 50%.

Ex.: Personagem X está desamado e deu um golpe de krav magá no oponente, o turno segue normal, com X fazendo sua jogada de defesa, quando o turno de ataque retornar a ele, ele pode fazer duas coisas.
1- Sacar a arma, e no turno seguinte atacar com a habilidade cheia.

2- Gastar 1 ENG sacar e atirar no mesmo turno com uma penalidade de 50% na HAB.

Caso ele fosse usuário de Caratê, suponhamos, ele poderia sacar a arma e atirar no próximo com uma penalidade de 50% ou sacar a arma e atirar daí dois turnos para não ter penalidade nenhuma.


  • JIU JITSU BRASILEIRO:

Foco: Imobilizações e finalizações.

Bônus: +2 por nível nas jogadas de ataque em situações de grappling (agarrões).

  • Mecânica:

1. Ataque Inicial: Realiza uma jogada de ataque para tentar levar o oponente ao chão com +2 por nível 

2. Imobilização: Caso consiga derrubar o adversário, em seu próximo turno, o jogador pode iniciar uma tentativa de finalização. Isso exige uma nova disputa de força aplicando o mesmo bônus de +2 por nível.

3. Efeito: Se vencer a disputa, o adversário fica imobilizado e pode ser finalizado, ele perde 1D3 de ENG até escapar (uma vez por turno, ele pode tentar uma disputa de força ou destreza contra o jogador para sair).

OBS: O bônus por nível deve e pode ser distribuído entre teste de FOR e jogada de ataque para permitir maior facilidade em determinados contextos.


  • JUDÔ:
Foco: Agarrar e Derrubar.
Bônus: +2 por nível nas jogadas de ataque em situações de grappling (agarrões).
1. Ataque Inicial: Realiza uma jogada de ataque para tentar levar o oponente ao chão com +2 por nível 
2. Derrubar: Realize um teste de FOR com o bônus, que assim como nos casos acima pode ser distribuído conforme a conveniência, contra a força do adversário. Em caso de sucesso, o adversário é derrubado.
3. Efeito: O Adversário é derrubado no chão, sofre 2 ENG de dano fatigário, e ele precisará gastar um turno para se levantar. Enquanto estiver caído, ele operará qualquer jogada de ataque e defesa com apenas com metade da HAB.

  • KICKBOXING:
Foco: Causar danos com chutes.
Bônus: +2 por nível.
1. Ataque Inicial: Cada nível oferece um bônus de +2 que poderá ser distribuído conforme a conveniência do usuário. Ele pode colocar +2 na jogada básica de ataque e aplicar um golpe técnico com seu dano básico convencional ou ele poderá aplicar um golpe forte, dando um golpe sem tanta técnica, mas aplicando o bônus no dano básico. Ele poderá ainda distribuir esses valores entre ambas coisas. 
2. Benefício: Kickboxing permite que o adversário ataque com as pernas de um quadrado a mais de distância, e "voadoras" causam +1 de dano por nível quando o PJ gastar pelo menos 1 ENG para aumentar seu deslocamento (Não precisa gastar todo o deslocamento para acertar a voadora).



quinta-feira, 15 de agosto de 2024

[CONTO] Queens, Yale, Serra do Lago - IV

Nova Iorque, 13 de Dezembro de 2024 


A noite caía lenta e fria sobre Nova Iorque, lançando sombras longas e inquietas pelas ruas estreitas e úmidas. Aline desceu do trem, o som dos trilhos ainda reverberando em seus ouvidos como um eco distante de uma vida que parecia deslizar pelos seus dedos. Cada passo era pesado, como se ela carregasse o peso de todas as suas indecisões e sentimentos mal resolvidos. A estação estava quase deserta, o ar gelado e cortante parecia perfurar sua pele, mas ela quase não notava.

Ao chegar ao apartamento, a porta rangeu ao ser aberta, o som reverberando pelo espaço vazio. Aline deixou o casaco cair no sofá, seus movimentos automáticos e sem vida. No balcão da cozinha, o copo de café estava lá, como sempre. Junior nunca deixava de preparar uma xícara para ela, como se fosse um ritual sagrado. Mas o café estava intocado, o líquido agora frio, e essa simples visão pareceu destilar toda a tensão que se acumulava entre eles.

Junior a observava de onde estava, encostado na parede do corredor, seus olhos carregados de preocupação e fadiga. Ele havia tentado, repetidamente, entender o que estava acontecendo com Aline, mas cada tentativa era recebida com uma resposta curta, um olhar distante, e um muro erguido entre eles.

— Aline — sua voz quebrou o silêncio, carregada de uma mistura de frustração e carinho. — Você está bem?

Aline ergueu os olhos, mas evitou o olhar dele, concentrando-se em qualquer outra coisa ao seu redor. Respondeu com um simples "sim", mas a palavra soou vazia, sem vida.

Junior suspirou, passando a mão pelos cabelos, sentindo a tensão em seus ombros crescer.

— Isso é tudo? — Ele não podia mais conter a irritação em sua voz. — É só isso que você tem a dizer? Ultimamente, qualquer coisa que eu pergunto, você me dá essas respostas atravessadas, como se eu estivesse te incomodando só por me importar.

Aline ficou em silêncio, mas algo dentro dela parecia se partir com aquelas palavras. Ela não queria ser assim, mas o ciúme, a insegurança, tudo estava se acumulando como uma tempestade em seu peito.

— Talvez seja porque... porque você não entende — ela finalmente respondeu, sua voz tremendo levemente. — Não entende como é ver você, dia após dia, conversando com... Maryna.

Junior franziu o cenho, surpreso com a menção ao nome. Ele não esperava que Aline estivesse tão afetada por isso.

— Maryna? — ele repetiu, lentamente se aproximando. — Aline, ela é... era minha namorada, sim, mas isso foi há muito tempo. Agora somos apenas amigos.

— Apenas amigos? — Aline replicou, com um tom de amargura que a surpreendeu. — Amigos que relembram "bons momentos"? Que riem e se divertem enquanto eu estou aqui, sozinha, tentando me focar nos meus estudos, mas não consigo pensar em outra coisa além de... vocês dois.

Junior parou a poucos passos dela, sentindo a dor nas palavras de Aline, e percebeu que talvez tivesse subestimado o impacto disso tudo nela.

— Aline, eu jamais quis te fazer sentir assim. Eu gosto muito da Maryna, mas como amiga, e nada mais. O que houve entre nós acabou faz tempo, e hoje, o único lugar onde eu quero estar... é aqui, com você.

Ela levantou os olhos finalmente, encontrando os dele. O que ela viu foi um olhar sincero, sem vestígios de dúvida, e isso a fez sentir-se um pouco tola por todos os pensamentos que alimentara nos últimos dias.

— Mas e nós, Junior? — Aline perguntou, a voz mais suave agora, como se estivesse se permitindo ser vulnerável. — O que somos nós? Nós somos alguma coisa?

Junior aproximou-se ainda mais, até que estava bem à sua frente. Ele tocou o rosto dela com uma gentileza que parecia desarmar todas as defesas que ela erguera.

— Aline, você tem essa visão idealista do mundo, e é isso que eu mais amo em você — ele começou, com uma calma firme. — Você vê o que o mundo pode ser, o que nós podemos ser, e isso me dá esperança. Eu sou mais pragmático, eu sei que a vida é cheia de falhas, de riscos. Mas também sei que não quero viver em um mundo onde você não esteja ao meu lado. Eu não quero ser apenas uma sombra para você, quero ser a pessoa que caminha ao seu lado, seja qual for o caminho que você escolher.

Aline sentiu as lágrimas brotarem, mas dessa vez não eram de tristeza. Era como se todas as incertezas se dissipassem, dando lugar a uma clareza que ela não sentia há muito tempo.

— Junior... Eu tenho medo de destruir tudo o que construímos, tudo o que eu sonho. Eu quero ser alguém que faz a diferença, que muda o mundo, mas às vezes, sinto que para isso... eu teria que abrir mão de você. E isso me assusta mais do que qualquer coisa.

Ele sorriu, um sorriso cheio de compreensão e amor.

— Aline, você não precisa escolher entre seus sonhos e nós. Podemos construir isso juntos. Eu acredito em você, e se precisar, eu vou estar lá para te lembrar disso, todos os dias. Porque você é a minha esperança, e sem ela... eu também me perderia.

Aline assentiu, deixando que as lágrimas finalmente caíssem, mas dessa vez, havia um peso sendo aliviado de seus ombros. Ela se aproximou, envolvendo Junior em um abraço apertado, como se quisesse ancorar-se na presença dele.

Eles se olharam e se beijaram.

— Você sabe que hoje é minha estreia no The Ultimate Fighter America, não sabe? — Junior quebrou o silêncio, tentando amenizar o clima.

Aline sorriu, ainda abraçada a ele.

— Eu sei. Estou ocupada, mas prometo que vou fazer de tudo para chegar a tempo, nem que seja de ver você vencedor da luta.

Aline beijou o rosto de Junior e o deixou partir para sua luta. Aquele dia seria não só dia em que Aline e Junior se resolveram, mas descobriram que a Magia não era mais um segredo. Um garoto da idade deles havia parado um trem em alta velocidade a força fazendo-o parar sobre uma ponte de gelo sobre a Baía de Jersey. E por causa disso os velhos problemas de Serra do Lago voltariam a afligi-los.

FIM

[CONTO] Queens, Yale, Serra do Lago - III

Nova Iorque, 11 de Dezembro de 2024

Aline caminhava lentamente pelo corredor, o som dos passos ecoando nas paredes do apartamento silencioso. A exaustão se acumulava em seu corpo, cada músculo clamando por descanso, mas sua mente ainda estava desperta, cheia das ideias e teorias que tinha absorvido durante o dia na University of Yale. Ao entrar no quarto, deixou-se cair na cama, o colchão afundando sob seu peso enquanto ela fechava os olhos, tentando afastar o turbilhão de pensamentos.

Sua mente vagou para a primeira aula da disciplina optativa que havia decidido cursar, mais por curiosidade do que por necessidade. Literatura sempre a intrigara, não pelas histórias em si, mas pela forma como as palavras podiam capturar o espírito de uma época, de um povo, e como isso se conectava tão profundamente com as estruturas políticas e sociais.

Ela se lembrou do momento em que entrou na sala, o ar carregado de expectativa. Escolhera um lugar ao fundo, perto da janela, e logo notou o rapaz que se sentara ao seu lado. Ele parecia deslocado entre os outros alunos, talvez pelo jeito clássico de sua aparência: pele clara, cabelos loiros, e um queixo firme que dava ao rosto uma aura de confiança.

O professor, Arnold Archbold, entrou na sala com ares de autoridade, mas havia um brilho nos olhos que revelava seu amor pela matéria que ensinava. Após as apresentações, ele começou a aula de uma forma inesperada, escrevendo uma estrofe no quadro:

"And the leaves turn from red to brown
To be trodden down
To be trodden down
And the leaves turn from red to brown
Fall to the ground
Fall to the ground"

O professor se virou para a turma, com um sorriso que misturava curiosidade e desafio.

— Quem escreveu essa poesia? — perguntou ele, os olhos varrendo a sala em busca de uma resposta.

Imediatamente, uma garota de óculos na primeira fileira arriscou: Baudelaire. Um rapaz de cabelo azul, sentado do outro lado, tentou Fitzgerald. O professor riu, sacudindo a cabeça em negação.

— Não, não. Esta estrofe é de uma música chamada "Beautiful", da banda Marillion, lançada em 1999 — ele revelou, sua voz carregada de entusiasmo. — Vejam, uma bela poesia não precisa necessariamente vir dos autores clássicos. Às vezes, está nas letras das músicas que ouvimos no rádio, no cotidiano.

— E sobre o que vocês acham que é essa metáfora? — Archbold perguntou.

O rapaz ao lado de Aline levantou a mão com confiança.

— Jeremy Johnson, professor. Pode me chamar de J.J. — ele disse, um leve sorriso no rosto. — Eu acho que a metáfora é sobre árvores.

O professor arqueou uma sobrancelha, desapontado.

— Bem, isso é... evidente. Mas se fosse realmente sobre árvores, não seria uma metáfora, certo?

Aline sentiu uma súbita urgência de falar. Levantou a mão e, quando o professor a chamou, ela respondeu com firmeza.

— Eu acho que é sobre o tempo. Sobre como ele transforma tudo, leva tudo embora, como as folhas que caem das árvores.

O professor aplaudiu, claramente impressionado.

— Exatamente! O tempo... O grande escultor, o grande destruidor. E você é...?

— Aline Ribeiro, estudante de Economia. Estou cursando esta disciplina porque acredito que entender a literatura de um povo é fundamental para compreender seu espírito e, por conseguinte, suas instituições. Não quero ser apenas uma cabeça de planilha alienada.

O professor sorriu ainda mais, visivelmente satisfeito.

— Bravo, senhorita Ribeiro. Mais economistas deveriam pensar como você.

Após a aula, Aline e J.J. se apresentaram. J.J. ficou impressionado com a sagacidade dela. Ambos caminharam juntos até a estação de trem de Haven. Ele parecia interessado, mas Aline desviava a conversa sempre que possível. Ainda havia Junior, uma presença vaga mas constante em sua vida, e ela sabia que precisava resolver isso antes de permitir qualquer novo envolvimento. J.J. compreendeu, e o restante da caminhada foi envolto em um silêncio confortável, quando ambos se despediram. Aline entrou no trem e seguiu de volta para Manhattan.

Ao chegar em casa percebeu que Junior já estava, ele estava no telefone falando com alguém. Ela soltou um suspiro cansado, caminhando até a mesa onde um copo de café quente a aguardava, a fumaça subindo em espirais frágeis, dissipando-se no ar frio do quarto. Junior meio que sabia que ela chegava sempre nesse horário e tinha o talento de deixar o café sempre pronto e quente para ela.

Subiu ao quarto no segundo andar, com um gesto automático, ligou o termostato, buscando algum conforto no calor que começava a emanar do aparelho. Seus olhos vagaram até a janela, onde a neve se acumulava no parapeito, criando um cenário de branco puro, quase irreal. Nova Iorque, lá fora, estava congelada, mergulhada em um silêncio pesado, quebrado apenas pelo som distante de um carro que passava, solitário, nas ruas desertas.

Aline se sentou na cama, o copo de café entre as mãos, a cerâmica quente aquecendo seus dedos. Ela olhou para a escuridão além da janela, perdida em seus pensamentos, quando um som distante capturou sua atenção. Era a voz de Junior, vindo do quarto ao lado. Ele falava com alguém ao telefone, sua voz baixa, mas clara o suficiente para que Aline pudesse distinguir as palavras.

— Maryna? — Junior disse, rindo suavemente, como se estivesse relembrando algo doce e nostálgico. — Sim, claro que me lembro... você sempre foi especial.

Aquelas palavras, tão leves e despreocupadas, acertaram Aline como uma faca invisível. Seu coração apertou no peito, o desconforto crescendo a cada segundo que passava. Ela tentou se concentrar em outra coisa, qualquer coisa que a afastasse daquele momento. Puxou um livro da mesa de cabeceira, “The Catch”, do premiado escritor inglês Arthur Brooklet, e começou a folhear as páginas, mas as palavras escapavam dela, se transformando em manchas indistintas de tinta.

Os risos de Junior continuaram, ecoando pelo corredor como uma lembrança cruel. Aline fechou os olhos, tentando bloquear o som, mas ele persistia, invadindo seus pensamentos, envenenando sua mente com dúvidas e inseguranças.

“Estou perdendo ele”, pensou, a tristeza a envolvendo como um manto pesado. “Por minha própria teimosia, estou deixando-o escapar. Esperando por um príncipe encantado que nunca vai chegar... sou uma tola.”

Aline sentiu as lágrimas se formando, queimando em seus olhos. Ela colocou o livro de lado, se levantou e fechou a porta do quarto, como se isso pudesse afastar a dor que sentia. Caminhou até o som, ligou o velho toca-discos e deixou que a agulha encontrasse o vinil, iniciando as primeiras notas de “Somewhere Only We Know” do Keane. A música encheu o espaço, sua melodia triste ressoando com a tempestade dentro dela.

I'm getting old and I need someone to rely on,

So tell me when you're gonna let me in

I'm getting tired and I need somewhere to begin

Ela se deitou na cama, encolhendo-se em posição fetal, enquanto as lágrimas começavam a cair amargas e silenciosas. A música a envolvia, criando um casulo onde ela podia se permitir sentir, onde a tristeza podia finalmente encontrar vazão. 


No quarto ao lado, Junior ainda conversava, mas agora sua voz estava mais suave, mais distante.

— Estou feliz que tenhamos terminado como bons amigos, Maryna... — ele dizia, e Aline, mergulhada na música, não ouviu. — E espero que você siga seu caminho com tanta felicidade quanto desejo que eu siga o meu... com Aline.

A despedida foi breve, as últimas palavras de Junior envoltas em um suspiro de alívio. Ele desligou o telefone e, por um momento, ficou em silêncio, seus pensamentos voltando a Aline. Ele se levantou da cama e caminhou pelo corredor até a porta do quarto dela, notando que estava fechada.

Gentilmente, ele girou a maçaneta e entrou, apenas o suficiente para espiar. A luz suave do abajur lançava sombras no quarto, e ele a viu deitada de costas para a porta, encolhida na cama. A música preenchia o espaço, abafando qualquer som, mas Junior sorriu ao pensar que ela estava dormindo, exausta após mais um dia de estudos.

Ele apagou a luz, com um gesto suave e cuidadoso, e fechou a porta, deixando Aline na escuridão, sem perceber a tristeza que a consumia. Do lado de fora, o vento continuava a soprar, levantando a neve que dançava como espectros na noite fria de Nova Iorque.

[CONTO] Queens, Yale, Serra do Lago - II

Quatro dias após a conversa sobre seus sentimentos, Junior saía do treino de MMA, mas sua mente estava longe, dividida entre Aline e sua ambição de ingressar no The Ultimate Fighter America. Ele estava perdido nesses pensamentos quando Jade Powell, uma lutadora impressionante, aproximou-se. Ela tinha 19 anos, era uma mulata do Brooklyn com pernas bem torneadas e um abdômen definido, evidências de sua disciplina no esporte. Seus olhos brilhavam com a paixão pela luta, e Junior não pôde deixar de notar o quanto ela era linda.

Eles começaram a conversar ali mesmo, na saída do ginásio. A conversa fluía facilmente, ambos compartilhando histórias sobre seus lutadores favoritos e discutindo as nuances do MMA. Jade era cativante, e Junior se via atraído por ela, sentindo uma conexão inesperada. Ainda assim, enquanto eles riam e se entendiam tão bem, a sombra de Aline continuava a pairar sobre sua mente, como se algo o impedisse de se entregar completamente ao momento.

Quando Jade pediu uma carona para casa, Junior concordou sem hesitar. Eles entraram no Chevrolet Cruze 2018, que Junior havia comprado com grande esforço, trabalhando como chapeiro por 10 dólares a hora em um emprego part-time. Durante o trajeto, eles continuaram a conversar, e Junior se viu cada vez mais encantado por Jade, mas ao mesmo tempo, mais consciente do peso de seus sentimentos por Aline.


Finalmente, chegaram à casa de Jade. Junior estacionou o carro e a acompanhou até a porta. O clima, que antes era leve e descontraído, tornou-se subitamente carregado de tensão. Jade, com um sorriso tímido, fechou os olhos e se aproximou dele, insinuando um beijo. Por um instante, Junior se permitiu imaginar como seria ceder àquele impulso, mas a imagem de Aline surgiu em sua mente, clara e perturbadora.

Ele recuou levemente, com um sorriso gentil, tentando aliviar a situação.

— Foi uma alegria te conhecer, Jade — disse ele, sua voz carregada de sinceridade, mas também de um peso que ele não conseguia ignorar.

Jade abriu os olhos, percebendo a hesitação de Junior. Ela sorriu de volta, tentando esconder a decepção.

— Igualmente, Junior. Espero te ver de novo no treino — respondeu ela antes de entrar em casa, deixando Junior sozinho na escuridão.

Enquanto dirigia de volta para a Southgate Boulevard, Junior mal conseguia processar o que havia acontecido. Jade era incrível, e qualquer outro momento ele teria se deixado levar. Mas Aline estava sempre presente em seus pensamentos, uma presença silenciosa e poderosa que ele não conseguia ignorar.

Ao chegar em casa, encontrou a cena já familiar: Aline dormindo debruçada sobre pilhas de livros, o cheiro de morango de seus cabelos enchendo o ambiente. Junior sentiu um misto de carinho e tristeza ao vê-la assim, tão dedicada, mas também tão distante. Ele se aproximou, pronto para pegá-la no colo e levá-la para cama, como fizera tantas outras vezes. Mas então, algo diferente aconteceu.

Aline começou a balbuciar palavras em seu sono. No início, eram murmúrios incoerentes, mas logo as palavras tomaram forma, e Junior percebeu que ela estava sonhando com ele.

No sonho de Aline, eles estavam juntos na Biblioteca do Congresso, em Washington, D.C. Ela estava diante dele, recitando um trecho da Declaração de Independência:

— "Mas quando uma longa série de abusos e usurpações, perseguindo invariavelmente o mesmo objetivo, indica o desígnio de reduzir o povo ao despotismo absoluto, pertence ao povo o direito, bem como o dever, de abolir tais governos e instituir novos garantias para sua futura segurança".

Junior a observava, encantado com a paixão que ela colocava em cada palavra, mesmo em seu sonho. Ele via nos olhos dela o fogo que a movia, o desejo de fazer algo grandioso, de liderar e mudar o mundo. Em seu sonho, Junior não resistiu; ele se aproximou e a segurou pelas mãos, olhando fundo nos olhos dela.

— Você é maravilhosa, Aline — disse ele, sua voz suave, mas cheia de sentimento. — Eu te amo.

Aline, ainda sonhando, respondeu. Sua voz era um sussurro, mas carregava uma verdade que ela nunca havia expressado acordada.

— O que sinto por você... é tão puro quanto o que sinto por minha cidade. — Ela hesitou, como se estivesse lutando contra o próprio medo. — Mas tenho tanto medo, Junior. Medo de destruir tudo. De falhar com você... e com meus sonhos.

Junior, ainda segurando-a, sentiu seu coração apertar. Ele estava ouvindo uma confissão que Aline nunca havia feito em palavras conscientes. Aquela revelação, tão íntima e vulnerável, o tocou profundamente. Ele compreendeu que, por trás da força e determinação de Aline, havia inseguranças que ela raramente permitia que alguém visse.

De volta à realidade, Junior a observava dormindo, as palavras do sonho ecoando em sua mente. Com cuidado, ele a ergueu nos braços. Junior não entendia nada de história, política, magia ou economia. Mas ele entendia do amor que Aline tinha pelos seus ideais. E ele a amava por ser tão ingenuamente idealista. Ele sabia que o mundo era duro, mas sentia que aqueles sentimentos eram tão puros e elevados que seria uma tragédia se ela os abandonasse e deixasse de crer neles. Seu amor se agudizou e ele não se conteve.

Seria uma violência? Um abuso? Machismo? Num ímpeto, ele com Aline ainda dormindo, e com ela nos braços, Junior a beijou. Um beijo doce, inicialmente inerte. Mas logo correspondido. Os lábios de ambos tocavam-se, encaixavam-se, sentiam-se. Na mente de Junior, ele estava com ela na biblioteca apaixonadamente se beijando, e ele via tudo com seus olhos fechados. Uma música ressoava como que vindo da transcendência: "We might as well be strangers in another town, we might as well be living in another time". Ao despertar de seu sonho, sentiu as mãos quentes e macias de Aline deslizando por seu rosto. Ele não estava sonhando, seu beijo estava sendo correspondido.

Ele abriu os olhos e afastou-se lentamente de Aline, podendo assim ver seu rosto com traços delicados. Para sua surpresa, ela estava dormindo, com um sorriso genuíno e gentil no rosto. Talvez ainda sonhando com um beijo apaixonado na biblioteca do congresso. Gentilmente Junior a depositou na cama, com ela presa em seu sonho. E deitando-se ao seu lado, olhava para ela perdida no Oníron enquanto sabia que apostar no amor que sempre nutriu era a decisão certa.

terça-feira, 13 de agosto de 2024

[CONTO] Queens, Yale, Serra do Lago - I

 01 de Dezembro de 2024 - Cidade de Nova Iorque.

Southgate Boulevard
Na pequena casa alugada na Southgate Boulevard, no Queens, as noites eram sempre longas. Aline Ribeiro passava horas mergulhada nos estudos, as páginas dos livros de economia e política espalhadas sobre a mesa. A luz do abajur iluminava seu rosto concentrado, os olhos correndo pelas linhas dos textos densos. Junior, seu colega de escola e agora companheiro de casa, costumava observá-la em silêncio, com o coração dividido entre a admiração e a frustração.

Naquela noite, como tantas outras, Junior estava na sala de estar, tentando focar nos treinos de luta que o levariam ao The Ultimate Fighter America. Mas sua mente insistia em desviar para Aline, que estava no quarto ao lado, debruçada sobre mais um livro de cálculo. Ele suspirou, sentindo o peso da indecisão de Aline sobre seus sentimentos, algo que ele tentava ignorar, mas que estava sempre presente.

Quando o silêncio se prolongou, Junior se levantou e caminhou até o quarto de Aline. Encontrou-a dormindo sobre a escrivaninha, os cabelos espalhados pelos livros abertos, o rosto descansando suavemente sobre as páginas. Aproximou-se com cuidado, sabendo que aquele era o único momento em que podia estar tão próximo dela sem a barreira dos estudos ou da indecisão.

Com gentileza, passou o braço por baixo dos ombros dela e a ergueu. Aline murmurou algo inaudível, mas não acordou. Ele sorriu, sentindo o aroma de morango que vinha dos cabelos dela, o calor suave de sua pele. Caminhou até o quarto e a deitou na cama, cobrindo-a com o cobertor.

Antes de sair, ele ficou parado à porta, olhando para ela adormecida. Pensou em todas as vezes que havia imaginado estar ao lado dela assim, mas sempre se frustrava ao perceber que, mesmo morando juntos, Aline parecia distante, mais interessada nos livros do que nele. Para piorar, ela sempre acordava cedo, bem antes dele, pois pegava um trem para Haven, para chegar ao campus da Univeristy of Yale. Ele sorriu ao perceber que o dia seguinte, um sábado seria diferente.

Microsoft Designer
No dia seguinte, pela manhã, Aline acordou e encontrou Junior na cozinha, preparando um café forte. Ela sorriu, tentando afastar o cansaço da noite anterior.

— Bom dia, Junior — disse ela, pegando uma caneca. — Obrigada por me colocar na cama ontem à noite... de novo.

— Não foi nada — respondeu ele, sem tirar os olhos da cafeteira. — Você parece estar estudando muito ultimamente. Não tem tido tempo para mais nada.

Aline deu um meio sorriso, sentando-se à mesa com o café em mãos.

— Sabe como é... A faculdade aqui é muito exigente. Tenho que dar o meu melhor. E, sinceramente, eu gosto de estudar. Gosto de sentir que estou aprendendo, crescendo.

Junior a olhou nos olhos, sentindo que aquela era sua chance de expressar o que estava em sua mente.

— Eu entendo, Aline. Mas... será que todo esse estudo não está te afastando do resto? Das pessoas ao seu redor?

Ela franziu a testa, tentando entender onde ele queria chegar.

— Do que você está falando, Junior?

Ele suspirou, tomando coragem para continuar.

— Eu vim para cá com você porque... queria estar ao seu lado, queria que a gente pudesse se conhecer melhor, talvez até... ser algo mais. Mas você está sempre tão focada nos livros que sinto que, mesmo morando juntos, estou mais longe de você do que antes.

Aline ficou em silêncio por um momento, os olhos fixos na xícara de café. Ela sempre soube dos sentimentos de Junior, mas nunca teve certeza de como se sentia em relação a ele. Ele era bonito, um bom rapaz, sempre a apoiava, mas... será que ela gostava dele?

— Junior, eu... — começou ela, hesitante. — Eu aprecio tudo o que você faz por mim, de verdade. Mas... eu não sei se estou pronta para algo mais. Tenho tantas coisas em mente, tantos sonhos e objetivos... E, honestamente, não sei se tenho espaço para mais alguma coisa agora.

Junior assentiu lentamente, tentando esconder a decepção.

— Eu entendo, Aline. Não quero te pressionar. Só queria que você soubesse como eu me sinto. Vou continuar ao seu lado, como sempre. Só... não quero que você me veja apenas como o colega de casa. Quero ser mais do que isso.

Aline olhou para ele, tocando sua mão suavemente.

— Você já é mais do que isso, Junior. Eu só preciso de tempo para descobrir exatamente o que sinto, para entender onde isso tudo pode nos levar. Espero que você possa ser paciente comigo.

Ele sorriu, um sorriso triste, mas sincero.

— Eu serei, Aline. Sempre serei.

domingo, 11 de agosto de 2024

EPR - Canto de Sirene, Magia nova para REALITATE 1.5

 As sereias são belas criaturas mitológicas dotadas de extraordinária beleza e doçura, mas que por detrás desse paradisíaco vislumbre oculta morte e destruição. Alguns feiticeiros no universo de "As Crônicas de Serra do Lago" conseguiram descobrir o segredo por detrás desse poder. Uma das magias utilizadas pela mítica Iara, do folclore nacional, é o "Canto de Sirene", a voz poderosa e doce que permite a uma sereia conduzir os homens a loucura, mas que pode ser utilizada, assim como o "Simulacro de Tessa" para impor, independente do gênero e da sexualidade, emoções e afetos em quem ouve.


Canto de Sirene (Nível 3, Trevas)

Descrição: O Conjurador faz um teste de INT+NPM para executar a conjuração, podendo acrescentar o bônus do conhecimento Canto (se tiver) ao teste. Em caso de sucesso, os oponentes devem passar num teste de RES para não sucumbir ao controle do cantor. Toda rodada o encantado tem o direito a um teste de RES para se libertar. Personagens com aparência 5+ recebem +1 no teste, 7+ recebem +2 no teste.

OBS: Se o objetivo do cantor for a sedução, personagens com sexo inverso do personagem, ou que mesmo sendo do mesmo sexo, apresentem preferência sexual homoafetiva [Peculiaridade de 0 ponto], fazem um teste de RES com redutor de 1. Se forem do mesmo sexo ou então não tiverem interesse no sexo do conjurador, recebem um bônus de +2 para resistir.

Caso o objetivo seja impor um buff ou um debuff, isso custará 1 ENG a mais para cada 50% de debuff em algum atributo. Ex.: Debufar a HAB pela metade, custa 1 ENG a mais. O mesmo para dar um buff de 50%.

Pré-requisito: Infligir Dano Maior.

Tempo de conjuração: 1 turno para concentrar.

Item necessário: Uma concha marinha.

Custo: 3ENG.

EPR - Magias do livro "O Despertar de todos os males" de Celso Alencar. [REALITATE 1.5]


Usando o sistema REALITATE 1.5, pensei em como fazer algumas magias do cenário e obra do parceiro e escritor Celso Alencar. Um dos poderes mais interessantes é o fragor, um tipo de esfera energética mágica atirada pelos bruxos da história. 

Usei para representá-lo a regra de conversão de poderes em magia apresentada em "O Colégio dos Pioneiros" ajustada conforme na penúltima edição de El Pavés Rubro, onde cada 3 slots são iguais a 1 nível. Fragor é um ataque energético convertido em magia.

Ataque Mágico padrão: INT+HAB+BdA (ATENÇÃO!)+2d6

Fragor (Nível 1, Elemental)

Fragor oferece um bônus de acerto (BdA) fixo, como um ataque energético. O que fará um fragor ser mais poderoso que outros é a capacidade de pagar ampliações ou o custo em energia (ENG).

  • Forma Base: BdA+4 dano 1d6 - Custa 1ENG

  • Ampliação 1: (+50%, Nível 2): BdA +6, dano 1d6+3 - Custa 2ENG 

  •  Ampliação 2: (+100%, Nível 3): BdA+8, dano 2d6 - Custa 3 ENG
  • Ampliação 3: (+150%, Nível 4): BdA+12, dano 3d6 - Custa 3ENG+1PdA

Outra magia que me chamou bastante a atenção foi a que Samara utiliza na batalha do metrô para se defender dos golpes de Benjamin, na qual ela substitui seu corpo por um boneco de barro que prende o adversário.

Body swap (Nível 3, Elemental)


Tempo de conjuração: 1 turno, instantâneo com gasto de 1PdA.

Teste de INT+NPM

Efeito: O conjurador, caso seja atingido por um golpe, pode efetuar a troca de lugar com um boneco de terra que receberá o dano em seu lugar. Precisa conjurar a magia antes de usar o efeito, e poderá ser executado a qualquer momento. 

Custa 4ENG.

Pré-requisito: invocar goblin de terra.


Armadura Mágica (Nível 2, Luz)


Efeito: Durante um turno o feiticeiro conjura a magia que forma uma armadura luminosa ao redor dele aumentando sua resistência. Ela é construída a partir do Poder Ultra-Resistente com Modificador +100% (2 slots extras), o que redunda numa magia de nível 2. Com isso os bônus dela são os seguintes: RES+5 para testes de Resistência física, +3 na jogada de defesa padrão (RES+HAB+2d6), além de uma RD natural de 2.

Custa: 2 ENG

Tempo de conjuração: Um turno.

Pré-requisito: Fragor.

quarta-feira, 31 de julho de 2024

[REALITATE 1.5] Fazendo uma ficha de Rebeca Andrade

Em tempos de olimpíadas, sempre pegamo-nos nos pensando em quão bom são os atletas. Depois de ser ouro no individual geral em 2021 (Tóquio) e bronze na gianstica por equipes em Paris, pensei bem em qual seria a ficha da Rebeca em REALITATE 1.5.

Em "As Crônicas de Serra do Lago" já temos uma ginasta, que é Alexandra Riz e no livro básico do sistema vem uma ficha dela para apreciação. Então, com base nisso, decidi fazer uma ficha parecida para Rebeca, mas muito superior, já que ela é uma medalhista olímpica.

quinta-feira, 18 de julho de 2024

EPR - Novo Poder: Dash [REALITATE 1.5]

 Dash - 2 slots

Jesse Faden em Control fazendo um Dash ofensivo.

Dash é um poder que consiste num deslocamento em curta distância super rápido e num soco ou trombada contra o inimigo com todo o peso da energia cinética acumulada nesse movimentoDash consiste numa manobra de Investida padrão, que não gasta o uso da manobra. Assim, calcula-se +3 na HAB durante o ataque. 

Esse poder é realizado ao custo de 2 ENG e agrega também +3 ao dano. 

Ataque com Dash:

  • FOR+HAB+3+BdA (se houver arma de combate melee)+2d6
  • Dano: Dano Básico+Dano da Arma (Se Houver)+3.

Defendendo-se com Dash:

Jesse Faden em Control usando Dash defensivo.

O Dash defensivo só pode ser feito no ar com Levitação, para efeito análogo em solo consultar Esquiva Ampliada no Livro Básico. A mecânica do dash defensivo é similar a manobra Evasiva, mas que não gasta o uso da manobra e agrega o bônus de +3 pra se defender quando no ar.

NOTAS:

1- Esquiva Ampliada no ar não é cumulativo com Dash. Prevalece o maior. 
2- Dash pode acumular com investida e evasiva ao custo de 1 ENG adicional.

EPR - Magia Raio [REALITATE 1.5]

She that holds my heart.

Uma das magias características do El Pavés Rubro é a magia "Raio", consiste numa conjuração hermética que não consta na tradição Puri pois eles entendiam que os raios e trovões eram propriedade de Tupã, e que reivindicá-la seria uma grave afronta a este deus, pelo menos é o que consta nos estudo antropológicos de Daniele De La Viña. 

No entanto, os gregos eram mais ousados e em livros herméticos antigos, como nos textos de Eristóphanes, o rei de Atlântida, essa magia consta e é conhecida pelos principais arcanistas do mundo. A seguir, sua fórmula de conjuração para REALITATE 1.5.

Relâmpago - Limitação de Raio.

Raio (Elemental, Nível 3, 2 pontos)

Produz uma descarga elétrica do céu ao chão afetando uma área de 1m de diâmetro para cada nível de poder mágico (NPM) que o conjurador tenha. O raio não sai da mão do conjurador, ele é desferido do céu ao chão, quer haja nuvens ou não. Essa magia não pode ser usada em lugares fechados ou subterrâneos, caso contrário o raio atingirá o que estiver sobre a cabeça da pessoa como cobertura, quer seja o chão ou um telhado. Causa 1d6+NPM de dano para cada metro de diâmetro. O ataque é conjurado via INT+HAB+NPM+2d6 e demanda uma jogada de defesa normal com redutor de -1 para cada metro de diâmetro que exceda o deslocamento básico do personagem [HAB] (para isso gasto energético para correr ou disparar não conta).

Turnos para conjurar: 1 turno para concentrar.

Custo: 5 ENG

Pré-requisitos: Pequena Chuva.

Itens: Magnetita.

terça-feira, 16 de julho de 2024

EPR - Como jogar com SUPERS (Super-heróis)? [REALITATE 1.5]

Embora o próprio Livro Básico de REALITATE dê ideias de como fazer para jogar com SUPERS, achei que seria interessante criar um artigo só sobre isso, e portanto lá vamos nós!

Em aventuras SUPER, os dados de dano no Dano Básico podem recebem um bônus de +1 para cada nível acima de 8 virando um dano extra a cada +2 acumulados
  • FOR 8- 1d6+1
  • FOR 9- 1d6+2
  • FOR10- 2d6-1
  • FOR 11- 2d6
  • FOR 12- 2d6+1
  • FOR 13- 2d6+2
  • FOR 14- 3d6-1
  • FOR 15- 3d6
  • FOR 16- 3d6+1
  • FOR 17- 3d6+2
  • FOR 18- 4d6-1
  • FOR 19- 4d6
  • FOR 20- 4d6+1
Assim como o dano básico, o significado das tabelas de FOR em termos de capacidade de carga devem ser relativizados. Cada nível de FOR acima de 9, normalmente representa um ganho de 25% de força em relação ao anterior.  Aqui, ao contrário, cada nível de FOR acima de 8 representa 2 vezes o nível anterior. Assim sendo, se FOR 8 ergue 300kg, FOR 9 ergue 600kg, FOR 10 ergue 1.200kg, FOR 11 ergue 2.500 kg, FOR 12: 5.000 kg, etc.

Novo Arquétipo: SUPER

Como já é bem conhecido de quem já leu o Livro Básico e as Expansões "O Cosmogônico" e "O Colégio dos Pioneiros", os arquétipos permitem a construção mais econômica e facilitada de personagens. O arquétipo Super, assim como Aberração, tem por natureza habilidades heróicas. Mas Super vai ainda mais caro que isso, pois como Supers são muito mais poderosos que aberrações normais, eles têm um set de regras muito próprias.

SUPER (5 pts):

Primeiro de tudo, um SUPER não é uma mera aberração, um jogo tem que ADMITIR supers para poder ser admitido este arquétipo. O primeiro pré-requisito para pegar um pacote de Super que o jogo seja pelo menos Heróico ou Heróico+.

Benefícios: Um SUPER pode escolher três poderes verossímeis sem custo e todos os poderes heróicos (TODOS) custam 3 slots a menos até o mínimo de 1. Supers podem usar o metapoder "Modificador" com alcance maior de -2 a +4 (diferente do convencional que -1 a +2), reduzindo sempre ao mínimo de 1. Recebe ainda um Conhecimento livre a escolha do jogador de graça. Multiplicadores de PVs e ENG de SUPERS são sempre 100%, salvo disposições em contrário, como mago, onde será 100/150% em favor de ENG.

Pontuação e slots:

Uma campanha de Supers pode ter uma quantidade indefinida de slots, mas recomendamos que sejam sempre mais de 5 slots, idealmente, uma boa quantidade para começar uma campanha de Supers é 8 slots. A pontuação ideal para uma boa campanha de Supers é 10 pontos e pelo menos -5 em peculiaridades, mas nada impede que se faça campanhas Supers com os tradicionais 6/-3. Isso ocorre porque nem todos os Supers são Supers o tempo todo, somente quando eles ativam seus Superpoderes. Um bom exemplo são Superman e o Homem-Aranha. O Superman já possui seus atributos todos na qualidade SUPER, e para interagir com o frágil mundo humanos, ele precisa reduzir sua força. O Homem-Aranha em seu estado normal possui atributos humanos, mas ele pode aumentá-los para além dos atributos humanos. Em outras palavras, onde a musculatura humana normal para de produzir força, a de Peter Parker continua a produzir até um limite muitas vezes maior. Os limites humanos de 8 por atributo são totalmente relativizados em uma campanha SUPER.

EPR - Convertendo Magias em Poderes [REALITATE 1.5]

Fazendo a transformação:

Como visto na página 56 da Expansão "O Colégio dos Pioneiros", Poderes podem ser transformados em Magia através da regras 1 nível para cada 4 Slots. Ou seja: Poderes de até 4 slots podem ser considerados Magias de Nível 1.

O mesmo pode ser aplicada para transformar magias em poderes, essa regra pode ser utilizada ao contrário portanto! Por exemplo: Warp (P.17 do De Res Arkanum) é uma magia de Nível 3, portanto, pela regra pode ser um poder de 8 ou mais slots.

Uma alternativa melhor (Regra Opcional):

Uma regra que pode deixar a coisa mais balanceada, já que há poderes de 4 slots que podem ser equivalentes a magias de níveis maiores, é reduzir a pedida de 4 slots por nível para 3 slots por nível. Warp continuaria sendo, por exemplo, um poder bem caro, mas poderia começar custando 7 slots ao invés de 8. Assim, Destruição Sombria (P.15 do De Res Arkanum), uma magia de Nível 4, poderia ser um poder de 10+ slots.

Alterando Magias para transformá-las em Poderes.

Vamos trabalhar com a protagonista do primeiro jogo da franquia Life is Strange: Maxine "Max" Caulfield. Max Caulfield, como sabemos, possui o poder de rebobinar o tempo alguns segundos e mudar os acontecimentos. Caso tenha lido apropriadamente o Livro Básico, você perceberá que não existe nele nenhum Poder com essas características. No entanto, na ficção existe inúmeros personagens e objetos que podem voltar no tempo. Como faremos portanto para emular isso?

Usaremos a regra de converter Magia em Poder acima apresentado. Usarei a regra opcional de 3 para 1.
Como base usarei a magia Transporte Planar (P.17 no De Res Arkanum). Transporte Planar permite saltar do tempo presente na linha do tempo (dimensão ou realidade) que chamaremos aqui de 1, para o tempo presente de uma linha do tempo que chamaremos de 2. Assim, voltar no tempo é mais restrito que Transporte Planar, pois permite deslocar em apenas uma linha do tempo (dimensão ou realidade). Portanto caberia aqui, usar o metapoder "Modificador" com -1. No entanto, Transporte Planar só permite deslocamento entre linhas do tempo diferentes mas restrito apenas ao tempo presente! Ou seja, saltar da linha 1 para a linha 2 APENAS no presente. Portanto, o poder Max possui uma Ampliação em relação a Transporte Planar, pois embora ela esteja restrita a apenas uma linha do tempo, ela pode se deslocar para trás nela! Sendo assim, pode-se aplicar um "Modificador" com +1!

Sendo Transporte Planar uma magia de Nível 3, ela poderia ser tranquilamente um Poder de 7 slots,  se o somatório de Modificadores dá 0, Rebobinar o Tempo poderá ser apropriadamente um Poder de 7 slots igualmente. PORÉM, como Rebobinar o tempo possui implicações como causar contradições, antecipar o comportamento de certas pessoas, eu recomendo colocá-lo a um custo de 8 slots.

Mecânica de Funcionamento:

A um custo de 8 de ENG o personagem consegue retroceder 6 segundos no tempo (3 turnos em batalha), e para cada ponto de ENG adicional gasto, pode-se retroceder mais 2 segundos (1 turno em batalha). Assim um personagem que possua 10 de ENG, caso queira gastar todos os seus pontos de ENG, poderá recuar até 10 segundos no tempo! O teste demandado para isso é um teste de INT que, mediante um turno para concentrar, recebe um bônus de +2. 

EPR - Empatia: Como ler mentes da forma certa? [REALITATE 1.5]

Olá, aventureiros do REALITATE 1.5! Hoje trazemos no EPR (El Pavés Rubro) uma atualização empolgante para o nosso sistema de RPG que promete trazer ainda mais profundidade e estratégia para suas campanhas. Estamos falando da substituição da antiga regra de "Ler Mentes" por uma nova e escalonável magia chamada "Empatia".

A Regra Antiga: Ler Mentes

Antes de explorarmos a nova mecânica, vamos relembrar como funcionava a antiga regra de "Ler Mentes" exposta na página 17 do De Res Arkanum:

  • Ler Mentes (Todas as Escolas, Nível 3, 3 pontos)
    • Descrição: Permite ao PJ ler os pensamentos de outras pessoas. Se ele tiver o poder Raciocínio Rápido, pode antecipar movimentos do adversário em combate. O mestre ou o PJ é obrigado a dizer o que vai fazer no próximo turno a quem usar.
    • Teste: Demanda teste de INT+NPM, resistível com RES-1.
    • Custo: 1 ENG.

A Nova Regra: Empatia

Para oferecer mais flexibilidade e possibilidades táticas, introduzimos a magia "Empatia", que pode ser ampliada conforme o personagem avança em níveis. Vamos aos detalhes:

Empatia (Nível 1, 1 ponto)

  • Descrição: No nível básico, permite ao jogador, ao custo de 1 ENG, saber através de uma aura ou de uma inserção mental, qual o estado emocional de uma pessoa. Descubra se ela está sentindo algo e qual é esse sentimento (tristeza, amargura, alegria, amor, etc).
  • Teste: Demanda teste de INT+NPM, resistível com RES.

Ampliação 1: Surrupiar Pensamentos (+50% Nível 2, 2 ENG)

  • Descrição: Com esta ampliação, disponível apenas a partir do Nível 2, o jogador consegue, pelo custo de 2 ENG, identificar o estado mental e emocional de uma pessoa e, além disso, roubar pequenas frases de pensamento.
  • Teste: Demanda teste de INT+NPM, resistível com RES.

Ampliação 2: Ler Mentes (+100% Nível 3, 2 ENG)

  • Descrição: No Nível 3, o jogador pode acessar a ampliação "Ler Mentes", ao custo de 2 ENG. Esta ampliação permite ler os pensamentos completos de uma pessoa, seguindo a mesma mecânica da regra antiga.
  • Teste: Demanda teste de INT+NPM, resistível com RES-1.
Somente a forma completa permite antever movimentos do adversário.

segunda-feira, 15 de julho de 2024

[REALITATE 1.5] Regras para Sniper/Atiradores

O infeliz incidente da Pennsylvania com o candidato a presidência Donald Trump me pôs a pensar em como funcionaria um sniper em REALITATE 1.5. Na página 32 do livro Básico da edição 1.5 fica estabelecido que a penalidade por distância é de -1 para cada 5 metros.

Segundo informações ele estava a cerca de 120m do alvo. O que daria, por essa métrica, -24 de penalidade. O valor por si - para quem conhece o sistema - já assusta.

Supondo que ele seja um atirador tão bom com rifle quanto a delegada Jordan Ewan (O Sopro/As Crônicas de Serra do Lago), com Scope (+3), Tiro Olímpico +2, rolando 23+2d6,

Se ele tirasse 7, um valor médio, o Força Básica de Ataque a Distância (FBAD) seria 30.

  • 30-24 = 6. Facilmente defensável.

Então refletindo sobre a inviabilidade de Snipers com essa métrica, proponho uma nova quantificação de distância.

Em distâncias curtas, pequenas distâncias são bastante impactantes em gerar dificuldade. A diferença entre acertar um alvo a 10m e outro a 15m. No entanto, em grandes distâncias, não há muita diferença entre acertar um alvo a 120m e 125m. De modo que é bastante razoável supor penalidades maiores também para diferenças maiores de distâncias.

Sendo assim, proponho a seguinte tabela para complementar a da página 32 do Livro Básico, que só vai até 16m.

Até os 30m a progressão pode ser igual.

  • 16-20m: -3
  • 21-25m: -4
  • 26-30m: -5

Aqui divergimos do dogma e passamos para redutores de 1 a cada 10m:

  • 31-40m: -6
  • 41-50m: -7
  • 51-60m: -8
  • 61-70m: -9
  • 71-80m: -10
  • 81-90m: -11
  • 91-100m: -12

Aqui divergimos novamente do dogma, e passamos a considerar -1 para cada 20m.

  • 101-120m: -13
  • 121-140m: -14

E assim sucessivamente. Caso na sua mesa o alvo esteja a 200m ou mais, basta dobrar novamente de 20 para 40, e de 40 para 80 para cada +100m.

Perceba como o trabalho do sniper fica mais eficiente: FBAD 30-13(penalidade) = 17

No caso da Penssylvania, Trump teria que fazer um teste de INT com observador (se tiver) pra ter direito a jogada de defesa. Aparentemente, ele falhou.

Então o atirador passou mas rolou dano baixo.

Mirar na Cabeça:

Sempre que você decide acertar alguém na cabeça em um tiro de longa-distância, você deve subtrair 5 do cálculo da Força Básica de Ataque a Distância (FBAD), par acrescentar esse 5 ao dano, fazendo assim do tiro mais letal.

domingo, 7 de julho de 2024

EPR - Vínculo Arcano [REALITATE 1.5]

Vinculo Arcano (Nível 1,  1 ENG, 1 ponto), permite através do desenho de uma Runa, que o conjurador empreste seu PdA para outra pessoa. Só pode vincular 1 pessoa, não é possível usar mais de um vínculo arcano por dia, e não admite ampliações ou qualitativos. Teste de Taumatologia ou Artes (Caligrafia) seguido de um de INT+NPM. A runa é consumida no ato.

Pré-requisito: Taumatologia 1 e/ou Artes (Caligrafia) 1.


sexta-feira, 16 de fevereiro de 2024

Explorando o RPG com Técnicas dos Criadores de "Efeito Borboleta"


Você já se perguntou como os mestres do cinema podem influenciar a narrativa do seu jogo de RPG? Imagine incorporar a maestria de roteiristas renomados, como Eric Bress e J. Mackye Gruber, para adicionar camadas de complexidade e reviravoltas à sua história. Neste blog, vamos explorar algumas técnicas desses criadores e descobrir como podem transformar sua próxima sessão de RPG em uma experiência inesquecível.

1. Embarque na Narrativa Não Linear:

Você já considerou contar sua história de RPG de uma forma não linear? Assim como em "Efeito Borboleta", revele informações importantes de maneira fragmentada. Use flashbacks, visões e reviravoltas para manter seus jogadores intrigados, sem nunca saberem o que virá a seguir.

2. Aprofunde as Consequências das Ações:

Que tal adotar a filosofia de que cada ação tem uma consequência? Mostre aos seus jogadores como escolhas aparentemente pequenas podem ter um impacto dramático na trama, tornando cada decisão significativa e imersiva. Uma forma interessante é sempre que um jogador alterar a linha do tempo no passado (esse esquema funciona bem para jogos de viagem no tempo), você pedir bastante detalhes para que tipo de alteração o jogador pretende fazer. Se você achar, com base na descrição, que a alteração será ruim adicione um redutor de -1 ou -2 na jogada que descreveremos a seguir. Se você acha que a alteração foi bem pensada, adicione +1 ou +2. Depois role 2d6.

domingo, 11 de fevereiro de 2024

[CONTO] O menino

Serra do Lago-ES, 28 de Maio de 2007.

A bruma da manhã envolvia os casarões coloniais à beira do Lago dos Eucaliptos, conferindo à pequena cidade de Serra do Lago um ar enigmático e melancólico. As ruas de paralelepípedos, ladeadas por árvores antigas e cascatas de bougainvilles, sussurravam histórias de tempos passados, enquanto o vento brincava com os reflexos dourados que dançavam sobre as águas calmas do lago.

Jordan Ewan, a delegada de polícia, caminhava com passos hesitantes pelas vielas silenciosas da cidade que um dia chamou de lar. Vinte anos haviam se passado desde que sua mãe partira em busca de novos horizontes nos Estados Unidos, mas agora o destino a trazia de volta, como se as memórias do passado a chamassem de volta para desvendar mistérios enterrados sob as sombras do bosque dos Alves.

Ao receber o comunicado sobre o estranho incidente no bosque, um arrepio percorreu a espinha de Jordan. O menino nu, desprovido de qualquer identificação genética ou digital, jazia desacordado entre as árvores centenárias, como se fosse uma criatura perdida em um conto esquecido. E, no entanto, nenhum registro de seu desaparecimento constava nos arquivos oficiais, como se ele fosse uma sombra entre os vivos, uma anomalia na ordem estabelecida.

A cidade, com suas fachadas caiadas e suas vielas estreitas, guardava segredos tão antigos quanto as próprias pedras que a sustentavam. E agora, enquanto o sol se erguia lentamente sobre os telhados de terracota, lançando uma luz pálida sobre as ruas desertas, Jordan sabia que estava prestes a mergulhar em um mistério que desafiaria não apenas as leis da física, mas também as fronteiras entre o real e o desconhecido. Jordan adentrou a Delegacia de Polícia de Serra do Lago com uma mistura de nostalgia e apreensão. O prédio de fachada colonial exibia marcas do tempo, suas paredes de pedra testemunhando incontáveis histórias de crime e justiça. O aroma familiar de café recém-passado flutuava pelo ar, mesclado com o odor de papel envelhecido e tinta de impressora.

Ao atravessar o saguão movimentado, Jordan foi recebida com olhares curiosos e murmúrios sussurrados entre os colegas de trabalho. Eles não se cansavam de admirar a beleza da ruiva de pele parda e olhos azuis, uma combinação rara de fenótipos anglo-saxões e brasileiros. Ela se dirigiu à mesa da secretária de ofícios, onde a figura cativante da subtenente Bete Ahien se erguia em meio ao frenesi matinal.

"Bom dia, delegada!" Bete cumprimentou com um sorriso travesso, seus olhos castanhos brilhando com vivacidade. "Parece que o retorno da nossa estrela perdida está causando um rebuliço por aqui."

Jordan sorriu, sentindo-se grata pela recepção calorosa. "Bom dia, Bete. Parece que nada mudou por aqui, exceto a quantidade de papelada na sua mesa", respondeu, apontando para a pilha de documentos que pareciam desafiar a gravidade.

Bete soltou uma risada franca. "Pois é, delegada, a burocracia nunca tira folga, nem mesmo para receber uma celebridade como você de volta à ativa após as férias."

A delegada balançou a cabeça em resignação antes de mudar o tom da conversa. "Então, o que você sabe sobre o garoto encontrado no sempre "creepy" bosque dos Alves?"

Bete ergueu uma sobrancelha, pegando um arquivo empoeirado em sua mesa. "Ah, esse mistério. Chegou o caso hoje de manhã. O pobre garoto foi levado para o Conselho Tutelar do município. Estranho, não é? Sem registros, sem identificação... É como se ele tivesse surgido do nada."

Enquanto Bete detalhava os eventos da manhã, Jordan assentiu que sim com a cabeça, ela observava atentamente, absorvendo cada palavra como peças de um quebra-cabeça que começava a se formar em sua mente.

Jordan pegou o arquivo nas mãos e entrou em sua sala. Fechou as persianas e olhou para o nada pensativa. Deslizou os dedos cansados sobre a pilha de documentos, sua mente vagando por um mar de lembranças e desafios. Desde que regressara à cidade há quatro anos, cada dia parecia trazer consigo uma nova dose de peripécias e dramas, como se o destino insistisse em testar os limites de sua determinação.


Em 2004, enfrentara o infame caso Ludovica, uma teia de mentiras e traições que quase custou-lhe a sanidade. No ano seguinte, fora confrontada com uma articulação sinistra de eventos que a Prefeitura e o DIX encobriram sob a alcunha de "Grande Erupção Polar", uma tragédia que ceifara a vida de 23 inocentes, deixando cicatrizes indeléveis na alma da cidade. E quem poderia esquecer o quiproquó envolvendo um ex-prefeito no início de 2006, um escândalo político que agitou as fundações do poder local?

E agora, enquanto mergulhava nas entranhas do misterioso caso do garoto encontrado no bosque dos Alves, Jordan não podia deixar de sentir o peso dos anos sobre seus ombros. A papelada à sua frente revelava uma conexão intrigante: o local onde o menino fora encontrado ficava próximo ao complexo do DIX, um grande elefante branco que ninguém sabia ao certo para que ou porque existia.

Uma faísca de compreensão acendeu-se em sua mente exausta, e Jordan sentiu um arrepio percorrer sua espinha. Seria possível que o DIX estivesse envolvido neste enigma? Seria este o elo perdido que ligava o garoto sem passado às sombras do desconhecido? Ela revirou a papelada e confirmou que o rapazote havia sido mesmo encontrado nas proximidades da base.

Um momento "Eureka!" tomou conta dela, e Jordan ergueu-se abruptamente de sua cadeira, o sobretudo batendo nos móveis enquanto se esvoaçava em seu despertar súbito. Ela chamou por Bete Ahien com urgência, seus olhos ardendo com a promessa de descoberta iminente.

"Vamos, Bete", ela disse, sua voz carregada de determinação. "Há um lugar que precisamos visitar. E rápido."

O carro cortava as ruas tranquilas de Serra do Lago, rumo ao coração da cidade. Jordan sentia o peso do silêncio entre ela e Bete Ahien, cujo olhar atônito refletia a tensão que pairava no ar. Enquanto isso, a paisagem urbana desfilava diante delas, os casarões coloniais e os cafés pitorescos testemunhando os segredos enterrados sob suas fachadas coloridas. Finalmente, o veículo parou diante de um imponente edifício de frente para a avenida Beira-Lago, com vista privilegiada do lago sereno e da majestosa Igreja ao longe.

Bete olhou surpresa, apontou e disse:

- Conheço esse lugar. Não é o prédio onde sua amiga Daniele mora?

- Sim. - Disse ela concentrada e monótona.

- Ela não estava em Buenos Aires cursando alguma coisa?

- Um doutorado em arqueologia em Montevidéu. Mas não é com ela que vim falar. - Disse Jordan abrindo a porta do carro com a mão direita enquanto a esquerda segurava um copo fumegante de café que começou a beber aos bebericos ainda na DP, que trouxera cuidadosa num porta-copos sobre o painel da viatura.

Jordan e Bete adentraram o prédio, suas sombras projetadas pelos raios do sol das 8 da manhã que atravessavam as janelas. Ao alcançarem o apartamento dos Ribeiro, Jordan sentiu um arrepio percorrer sua espinha, como se estivesse prestes a confrontar fantasmas do passado que se recusavam a serem esquecidos, como na noite da “Grande Erupção Polar”, que ainda  assombrava com garras fantasmagóricas e cortantes surgindo a partir da névoa densa e fria.

Archier Ribeiro as recebeu com a calma habitual, seus olhos escuros observando-os com uma intensidade que não escapava à percepção aguçada de Jordan. Ele parecia um homem de honra, seu porte sereno e sua voz tranquila transmitindo uma aura de mistério que intrigava e inquietava ao mesmo tempo.

Enquanto Bete aguardava na porta com um olhar perplexo, Jordan conduziu o interrogatório como uma amiga preocupada, sondando cuidadosamente as profundezas da mente de Archier em busca de respostas esquivas. Ele sempre parecia saber mais do que deixava transparecer, seus enigmas envolvendo-o em um manto de suspeita que teimava em se dissipar.

"Archier", começou Jordan, sua voz ecoando no silêncio tenso do apartamento, "precisamos falar sobre o garoto encontrado no bosque dos Alves. Você sabe alguma coisa sobre isso?" Um sorriso enigmático brincou nos lábios de Archier, seus olhos reluzindo com uma luz demiúrgica. "Ah, o mistério do garoto sem passado. Interessante como o destino tece seus fios invisíveis, não acha?"

A delegada arqueou uma sobrancelha, a curiosidade aguçada. "Você sabe algo que não estamos sabendo, Archier?"

Ele assentiu lentamente, sua expressão grave. "Há sempre mais do que podemos ver, Jordan. Mas talvez seja melhor você ouvir isso diretamente do garoto."

Jordan piscou, surpresa pela sugestão. "Eu não sei como ainda me surpreendo com você depois de tudo. Mas falar com o garoto? Por quê? Consta nos registros que ele não tem nenhuma memória."

Archier sorriu enigmaticamente, sua figura imersa em sombras de mistério. "Algumas respostas estão além das palavras, minha amiga. Às vezes, é preciso ouvir o silêncio para encontrar a verdade. E em alguns casos, é mais curioso ainda ver a verdade quando se olha pra ela."

- Tenho vontade de te perguntar como você sabe das coisas que sabe. Mas como você sempre é um informante precioso e sei que não vai sair do seu papel reprisado de mestre dos magos, vou aguardar um pouco mais até poder perguntar isso oficialmente. Uma hora você não me escapa. Diz Jordan sorrindo e ameaçando.

Archier sorriu sarcasticamente enquanto Jordan se levantava e colocava seu sobretudo. Um calafrio percorreu a espinha de Jordan. Com um aceno grave, ela se despediu de Archier, a mente já trabalhando nas próximas etapas de sua investigação.

- Porque viemos aqui, afinal? - Perguntou Bete. - Não ficamos nem 10 minutos.

- Nem eu mesma sei. Archier tem o poder de ser o juiz da minha consciência. Não me pergunte como ou porquê, mas ele sempre sabe o que dizer ao certo. - Respondeu a ruiva.

O carro parou diante do Conselho Tutelar, um prédio modesto de tijolos enegrecidos pelo tempo, suas janelas em arco olhando para o mundo com uma expressão de resignação. Jordan permaneceu sentada por um momento, respirando fundo para reunir sua coragem. Casos envolvendo crianças sempre a abalavam, um eco doloroso do histórico de sua mãe e de suas próprias experiências. Ao seu lado, Bete iniciou uma torrente de conversa trivial, mencionando Daniele e o irmão, Augusto, em um tom jocoso.

"Você não acha, Jordan, que a Daniele é meio tapada de ter ido para Buenos Aires estudar sei-lá-o-quê e ainda fircar esse tanto tempo com o Archier num casamento a distância? E o Augusto? Ele tá caidinho por você...", brincou Bete, cutucando Jordan no cotovelo.

Jordan sorriu de leve, embora sua mente estivesse em outro lugar. "Já disse. Ela está em Montevidéu” corrigiu Jordan com tom de voz seco. Percebendo, porém, que pode ter soado desajeitada com a amiga, tentou logo contornar... “Ah, Bete, cada um tem seus mistérios. Quem sabe o que atrai as pessoas uns aos outros, não é mesmo?" Adentrando o Conselho Tutelar, Jordan foi recebida por um ambiente melancólico. Funcionários aborrecidos arrastavam-se pelos corredores, como se fossem almas penadas arrastando correntes matinais. Finalmente, uma funcionária chamada Solange a atendeu, trocando informações sobre o caso do garoto encontrado no bosque dos Alves.

"É uma situação triste, delegada", disse Solange com um suspiro pesaroso. "Esse menino tem algo especial nele, algo que mexe com todos nós aqui. Mas ele precisa encontrar uma família, alguém que possa cuidar dele de verdade. Acho que ele não dura muito no sistema, e acha alguém logo para a adoção, mas seria muito triste uma criança tão boa e doce não ter uma mãe que se importe."

Curiosa, Jordan pediu para falar com o menino. Bete seguiu-a em silêncio, seus passos ecoando como um eco vazio no ambiente sombrio do conselho, enquanto Solange a guiava a uma sala onde havia alguns puffs coloridos e um tapete de EVA espesso em forma de quebra-cabeças. Na mesa um quebra-cabeças de mais 40 peças montado com a imagem de um circo de lona colorida. O menino, de cabelos cor de bronze e olhos castanhos, estava de costas quando Jordan o viu pela primeira vez, olhando perdido para a janela que dava para um terreno baldio sujo e enlameado.

"Olá, Como você está?", perguntou Jordan com gentileza.

O menino virou-se lentamente, um jovem adolescente de 15 anos, um sorriso tímido curvando seus lábios. Antes que pudesse compreender o que estava acontecendo, Jordan sentiu seu coração pulsando de ternura enquanto o menino andou em sua direção.

"Mãe!", exclamou o menino, lançando-se nos braços de Jordan com uma mistura de alegria e alívio. Jordan envolveu-o em um abraço caloroso, as lágrimas em seus olhos refletindo o turbilhão de emoções que a envolvia. Tão puro. Tão verdadeiro. Talvez fosse mãe dele mesmo, se não fosse pelo incômodo fato de que não era. Nem Bete e nem Jordan sabia o que estava acontecendo, mas por um segundo, sentiram que aquilo era verdade.

Meu estilo narrativo

Ao longo dos anos, percebi que meu estilo de narrar RPG não se encaixava perfeitamente nas categorias mais comuns. Eu não sou exatamente um ...