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sexta-feira, 16 de fevereiro de 2024

Explorando o RPG com Técnicas dos Criadores de "Efeito Borboleta"


Você já se perguntou como os mestres do cinema podem influenciar a narrativa do seu jogo de RPG? Imagine incorporar a maestria de roteiristas renomados, como Eric Bress e J. Mackye Gruber, para adicionar camadas de complexidade e reviravoltas à sua história. Neste blog, vamos explorar algumas técnicas desses criadores e descobrir como podem transformar sua próxima sessão de RPG em uma experiência inesquecível.

1. Embarque na Narrativa Não Linear:

Você já considerou contar sua história de RPG de uma forma não linear? Assim como em "Efeito Borboleta", revele informações importantes de maneira fragmentada. Use flashbacks, visões e reviravoltas para manter seus jogadores intrigados, sem nunca saberem o que virá a seguir.

2. Aprofunde as Consequências das Ações:

Que tal adotar a filosofia de que cada ação tem uma consequência? Mostre aos seus jogadores como escolhas aparentemente pequenas podem ter um impacto dramático na trama, tornando cada decisão significativa e imersiva. Uma forma interessante é sempre que um jogador alterar a linha do tempo no passado (esse esquema funciona bem para jogos de viagem no tempo), você pedir bastante detalhes para que tipo de alteração o jogador pretende fazer. Se você achar, com base na descrição, que a alteração será ruim adicione um redutor de -1 ou -2 na jogada que descreveremos a seguir. Se você acha que a alteração foi bem pensada, adicione +1 ou +2. Depois role 2d6.

segunda-feira, 15 de janeiro de 2024

Narrativa em RPG: O "in media res" e seus desafios.

Se você já assistiu a um filme ou série que começou com uma cena intensa e cheia de ação, apenas para depois retroceder e explicar como chegamos àquele ponto, você já teve um gostinho de In Media Res. Esta técnica narrativa, que nos joga no meio da ação antes de entendermos totalmente o contexto, pode ser emocionante e cheia de mistério. Mas, como seria trazer isso para a mesa de RPG? Vamos explorar juntos.

In Media Res no RPG? Sim, mas com Desafios:

Imaginem seu grupo de RPG começando uma sessão e, de repente, o mestre narra uma cena onde os personagens estão no meio de uma perseguição frenética ou em um confronto intenso. Parece emocionante, certo? No entanto, na mesa de RPG, onde a história é construída colaborativamente, o In Media Res pode trazer desafios únicos.

Confiança e Colaboração:

Literalmente, o nome da técnica significa em latim "no meio da coisa". Ou seja, a técnica consiste em jogar os personagens no meio de uma situação que eles não entendem. Implementar o In Media Res requer uma confiança sólida entre mestre e jogadores. Os jogadores precisam confiar que o mestre não está apenas tentando ditar o rumo da história sem o envolvimento deles e de que o mestre tem uma carta na manga para unir as pontas da trama e dar sentido a história. Ao mesmo tempo, o mestre precisa confiar que os jogadores estarão dispostos a mergulhar na narrativa, mesmo que inicialmente não tenham todas as informações.

Exemplos Práticos:

Kyle XY (2006-2009) - ABC Family

Contexto:

Na série Kyle XY, temporada 1, episódio 10: Kyle está confuso, pois tem amnésia e não se lembra do casal Peterson, que alega para os Trager que são os verdadeiros pais de Kyle. Nesta altura, Kyle e os Trager já estão bastante apegados um ao outro, de modo que é muito custoso a ambos, mas especialmente a Kyle, deixar sua família adotiva (os Trager) pela que ele agora é informado de que são seus verdadeiros pais, mas da qual ele não se lembra. Mais ainda, durante o tempo em que ficou com a família Trager, Kyle investigou sua origem e tentou recobrar suas memórias sem muito sucesso, mas aquilo que descobriu, era incompatível com o que a família Peterson alegava sobre ele.

Lá pelas tantas, dado o contexto acima, Tom Foss, um personagem misterioso introduzido aos poucos na trama, com toda pinta de que sabia a verdade sobre Kyle e que vinha agindo como uma espécie de Stalker e Guarda-costas de Kyle, se encontra com Kyle e ambos começam a discutir. Quando Kyle exige saber a verdade sobre seu passado, Tom promete responder. 

In media res:

Mas a cena corta para um momento futuro, onde Kyle chega em casa e, surpreendendo a audiência, decide ir embora com os Peterson alegando que havia se lembrado de tudo. Não é mostrado, a princípio, que argumentos Foss usou para convencer Kyle. Assim sendo, transcorre uma cena de Kyle arrumando suas coisas e, ao cabo, uma cena emocionante de Kyle se despedindo da família Trager. Quando Kyle já estava indo embora, a cena corta de volta para o passado, onde se mostra quais argumentos Foss usou para convencer Kyle.

Caso pessoal:

Eu mesmo enquanto jogador experimentei uma forma soft de in media res no ano passado. O meu mestre, Pedro Alex, um verdadeiro cascateiro, começou sua aventura no cenário cyberpunk de Neo-Eden com uma trocação de tiros insana dentro de uma realidade simulada, com os jogadores sem saber porque caralhos estavam ali. Depois que a missão foi concluída com sucesso dentro da realidade simulada, nós somos ejetados pela simulação, com todas as nossas memórias de volta, e aí sim somos explicados que éramos mercenários contratados por um chefão do crime corporativo.

Jordan Ewan - Minha bandoleira de psicopata de cyberpunk que jamais esquecerei.

A Beleza do Desconhecido:

Em resumo, utilizar In Media Res em mesas de RPG pode ser desafiador, mas é a confiança mútua que permite que essa técnica brilhe. É a beleza de começar no meio da ação, da colaboração entre mestre e jogadores, e do mistério que fazem essas narrativas tão cativantes. Portanto, da próxima vez que sua sessão de RPG começar com um estrondo dramático, abrace a incerteza com confiança. O desconhecido pode ser o palco das aventuras mais memoráveis.

Espero que você e seu grupo tenham ótimas experiências explorando essas narrativas inovadoras!


segunda-feira, 11 de dezembro de 2023

Narrativa em RPG: Adotando Técnicas Cinematográficas para Mestres de Jogo

A arte de narrar em um jogo de interpretação pode ser aprimorada ao incorporar técnicas poderosas emprestadas do cinema e da televisão. Assim como um diretor cria uma experiência envolvente através de recursos como o "cliffhanger", "closing montage", "foreshadowing" e a "arma de Tchekhov", os mestres de jogo podem elevar suas histórias a novos patamares, tornando a experiência dos jogadores mais rica e imersiva. Eu particularmente gosto de usar esse tipo de abordagem em aventuras que têm uma pegada mais investigativa e focada em jogadores narrativistas.

1. Closing Montage: O Poder da Conclusão Cinematográfica

Aventura que estou mestrando. Créditos: Vini Uiti

Assim como um filme muitas vezes encerra com uma sequência de cenas que resumem os destinos dos personagens, o mestre de jogo pode utilizar o "closing montage" para destacar o impacto das escolhas dos jogadores. Por exemplo, após uma campanha épica, descreva breves vislumbres do futuro dos personagens, revelando o legado que deixaram para trás. Um exemplo prático seria descrever o herói agora aclamado, governando uma terra pacífica que antes estava em desordem. Outra possibilidade é fazer, como eu fiz, na minha campanha de "O Sopro", em que ao fim da cada sessão (ou episódio) eu faço uma closing montage com uma imagem dos jogadores fazendo alguma coisa importante em relação a sessão e normalmente insiro uma música emotiva.

O Jogo Life is Strange é muito conhecido pela suas closing montage ao fim de cada episódio.


Funciona bem com o cliffhanger, onde você faz a closing montage e deixa a do personagem que está mais próximo de um conhecimento importante para a trama por último, e então, você começa a narrar algo misterioso mas não conclui. Você interrompe abruptamente dizendo que continua na próxima sessão.

2. Foreshadowing: Construindo Antecipação e Mistério

Introduzir elementos de "foreshadowing" cria um senso de mistério e antecipação na narrativa. Semelhante ao modo como uma cena inicial sugere eventos futuros, o mestre de jogo pode plantar sementes narrativas que se desdobrarão ao longo da campanha. Por exemplo, mencionar de forma sutil um artefato lendário que mais tarde se revela crucial para a trama. O efeito é a criação de um universo coeso e intrigante.

3. Arma de Tchekhov: Criando Significado em Detalhes

A famosa "arma de Tchekhov" postula que cada elemento na narrativa deve ter um propósito. Mestres de jogo podem adotar essa filosofia, garantindo que todos os detalhes introduzidos tenham relevância futura. Se um personagem descreve uma adaga de família, certifique-se de que essa adaga desempenhe um papel significativo mais tarde na história. Isso não apenas adiciona profundidade à trama, mas também surpreende os jogadores.

4. Cliffhanger: Hype e Suspense.

O gancho ou cliffhanger, é uma técnica muito empregada para gerar ansiedade (ou hype) e suspense para O desfecho de uma cena. Uma forma interessante é usar somente quando uma informação ou personagem importante para trama estiver para ser revelada e se isso coincidir com o fim da sessão. Uma boa inspiração pode ser o cliffhanger da meia-temporada de Kyle XY (2006):

Conclusão: Uma Narrativa Cinematográfica no RPG

Ao integrar técnicas cinematográficas como o "closing montage", "foreshadowing" e a "arma de Tchekhov" em suas histórias, mestres de jogo podem transformar sessões de RPG em experiências memoráveis. Assim como um diretor molda a narrativa em uma tela, os mestres de jogo têm o poder de criar mundos vívidos e cativantes para os jogadores explorarem. Experimente essas técnicas e veja como elas elevam a narrativa do seu próximo jogo de interpretação.

Meu estilo narrativo

Ao longo dos anos, percebi que meu estilo de narrar RPG não se encaixava perfeitamente nas categorias mais comuns. Eu não sou exatamente um ...