Informação Biográfica | Detalhes |
Nome Completo | Ethan Lawson [i] |
Alias(es) | Lawson [i]; Miguel (nome usado ao falar com Viktor Vektor) [i] |
Ocupação | Investigador da Polícia [i] |
Status | Falecido (Morto em 2080) [i] |
Local da Morte | Bunker de Heitor (Vista Del Rey ou Badlands, deduzido pela localização de Heitor) [i] |
Causa da Morte | Ataque suicida com explosivos [i] |
Campanha | One More Night City Night (2080) [i] |
sexta-feira, 28 de novembro de 2025
Ethan Lawson [Wiki]
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domingo, 23 de novembro de 2025
[CONTO] Resumo da Sessão - 01
26 de Julho de 2009, Serra do Lago, ES.
Richard Rios, Douglas Rambeau, Katarynna e Jo embarcam pra um congresso na Bahia, em Ilhéus, representando a USP. Serena Campos é a motorista da empresa ARF, responsável por levar os estudantes.
A viagem transcorre bem até uma estranha tempestade nas imediações de Serra do Lago, ES. O grupo se irrita com o fato de Serena ter saído da BR-101 pra fugir de trânsito e pego a ES-482. Só Douglas fica do lado dela. A chuva e o vento pioram mais e ela decide encostar no acostamento pra evitar da aquaplanagem extrema e a enxurrada levarem o carro pra ribanceira à esquerda.
Serena (Motorista): Pois é, pessoal... Vamos ter que ficar no acostamento até essa chuva maluca parar. Algum problema para vocês? Para evitar acidentes, eu vou lá atrás colocar um triângulo de sinalização... Vai que alguém bate na nossa traseira, né?
Katarynna chama Serena de burra, e pergunta:
Por que pegou uma estrada alternativa sua idiota?
Para fugir do tráfego pesado!
A justificativa não cola com Katarynna e começa uma verdadeira discussão que Douglas e Jô interrompem e separam.
Serena pega o triângulo, uma capa de chuva e sai pra colocar o triângulo no asfalto com a van parada no acostamento. Douglas tenta ajudar, saindo logo atrás, mas um casal de idosos aparece assustando os que ficaram na van.
Lourdes: Vocês estão bem?
Garcia: O carro doceis quebrou?
Lourdes: Aqui na rodovia é muito
perigoso ficar, aqui tem um morro do lado direito, atrás dos bosques, que
nesses toró costuma descer como enxurrada e inclusive já levou carro ribanceira
abaixo.
Garcia: Verdade, verdadeira.
Porque oceis não pega a estrada vicinal aqui na frente, vai dar numa região
melhor, os dormitórios do Colégio dos Pioneiros. O lugar não é mais usado pelos
alunos desde que o colégio se abriu aos de fora, mas ficou como abrigo de
tempestade e chuva coisa muito comum nessas paragens.
Serena um pouco molhada e Douglas completamente encharcado retornam. Eles convencem Serena a ficar num hotel próximo e Douglas concordam. Richard e Jô se abstêm e Katarynna reclama dizendo que "Se Serena é meia-roda e não consegue pegar chuvinha na estrada, devia procurar outro emprego".
Ao pegarem a estrada vicinal recomendada pelos idosos, eles os perdem de vista. Serena reclama e se arrepende de tantas decisões azaradas naquele dia reclamando do emprego:
Serena: Ai que ódio! Porque é que eu aceitei esse emprego, por que? - ela bate suavemente e repetidamente a cabeça bufando contra o volante conforme a van pára.
Mas vêem um homem pomposo de capa de chuva que fala que eles devem seguir pro hotel, mas devem tomar cuidado com os espaços liminares.
Bom dia... Bocês parecem um bouco Berdidos.
O pomposo parece trocar o m pelo b na dicção, que parece saber mais do que indica, olha para Serena a motorista da van da ARF e diz:
Bossa, moça que roubinha mais mequedréfe... Coisa
horrorosa.
Douglas pergunta se o hotel tá perto e ele responde:
Sigam
adiante, mais 40 betros, bocês vão achar os dorbitórios... Não recobendaria
buído, mas como bocês já estão aqui, é melhor que vão para lá mesmo... Só tobem cuidado com os espaços libinares, eles são cíclicos, bdebônicos, e
extrebamente cafonas, e o pior é que eles sempre aparecem, e a saída é sempre
uma charada.
Eles seguem o homem e chegam ao hotel, Jô tira fotos, eles conhecem Yasha. Yasha é uma menina de 15 anos que trabalha ajudando os avós no hotel, ela aloja os jogadores. Ela acomoda o grupo, após servir café e biscoitos, ela leva os jogadores aos seus quartos, o quarto 18 para Douglas e Serena e o quarto 17 para Katarynna, Jô e Richard. Os quartos são modestos, mas possuem aquecimento, closet, abajur, criado-mudo, e um rádio.
Irritada, Kataryna, Richard e Jo vão ao banheiro coletivo após receberem várias regras de Yasha... Regras bem estranhas.
Temos
algumas regras aqui.
·
Regra 1:
Horário de café da manhã começa às 7:00 e termina às 9:00.
·
Regra 2:
Não servimos almoço, mas servimos jantar. Amanhã a chuva talvez já tenha
abrandado, existe um restaurante a 1 quilômetro daqui na rodovia, é barato e
bom.
·
Regra 3: O
jantar é servido às 20h no salão principal dos dormitórios, todos os caminhos
levam para lá menos um. É fácil localizar.
·
Regra 4:
Caso queiram quartos de casal, nada de... intimidades... Respeito é bom e...
Todo mundo gosta... Todo mundo mesmo.
·
Regra 5:
Se ouvirem barulhos a noite são só encanamentos de cobre antigo que sempre
geram ruídos, ignorem...
·
Regra 6:
Se eles parecerem gritos aí mesmo é que devem ignorar.
·
Regra 7:
Nunca, jamais entrem na biblioteca.
·
Regra 8: O
Colégio é espaço vedado, mas se quiserem passear amanhã, a quadra e o gina´sio
poliesportivo são abertos a visitação. Lá tem bola de basquete, equipamentos de
ginástica, o que quiserem. Só se assegurem de sair antes das 16:17h. Nem um
minuto a mais. Se esquecerem algo lá, só busquem no dia seguinte.
·
Regra 9:
Se virem vultos e sombras no ambiente externo de noite não se preocupem, são
apenas os vigias. Podem parecer um pouco sem noção, mas eles são de confiança;
·
É isso
pessoal. Não é difícil... Boa sorte.
"Aquela Gótica Burra vai perceber como é bom sentir medo"
Richard se recupera do medo, ouve Jô falando estranhamente com ele e sumindo no corredor. Ele segue pro quarto onde vê Katarynna fazendo carinho no gato e diz que Jô sumiu só de toalha, Katarynna diz que não é "babá de ninguém" e Richard sai procurando Jô e encontra Yasha, Yasha diz que viu ele indo pra recepção, mas que falou com ele e ele não respondeu. Ele estava só de toalha. Ambos vão até lá.
Pouco antes disso, Douglas e Serena estavam no quarto 18, Douglas oferece um baseado pra serena que começa a tragar. Ambos parecem curtir um "tchó" como eles chamam a cannabis sativa. Serena percebe que seu gato está com fome e vai até a recepção para pegar uns biscoitinhos pra ele. Ela ia levar o gato "fudêncio", mas Douglas Rambeau diz que quer cuidar do bichinho. Ela deixa o gato com ele e deixa a porta encostada. O mesmo raio que caiu e apagou as luzes no banheiro onde estavam Katarynna, Richard e Jô apaga a luz ali também, ao voltar a porta estava aberta e o gato não estava mais lá. Douglas sai procurando o gato, ele ouve um miado vindo da recepção. Ao chegar lá, encontra Serena pegando uns biscoitos com Yasha. Ele informa que o gato fugiu, mas Serena não se irrita (aparentemente ela só odeia o emprego mesmo), e diz que o lugar é cheio de aquecedores e o gato deve estar perto de algum. Serena e Douglas combinam de se dividir. Ela procura no andar de cima, perto do aquecedor no quarto 18 e ele olha a sala de estar e refeição no primeiro piso.
Serena ao chegar no quarto 18 sente um vento frio vindo do aquecedor e desmaia na cama. Douglas Rambeau segue pra sala de estar, vê uma funcionária vendo TV e a porta da biblioteca. Ele coloca o ouvido na porta, ele não pretende realmente ir lá, mas teme que o gato possa ter ido. A funcionária o fica encarando estranho. Douglas Rambeau ouve uma microfonia estranha vir de dentro da biblioteca, e julga ser o sistema de calefação. Não ouve nenhum miado então não entra. Ele pergunta a funcionária se viu um gato branco, gordinho de cabeça raspada. Ela diz que não, mas ela diz que animais adoram comida, e que deve estar no refeitório. Douglas segue pra lá.
No refeitório ele vê uma mesa enorme daquelas de mansão vitoriana, muitos lugares a mesa e a cabeceira com uma cadeira ornada em ouro especial. Anexo, separado da sala de jantar por um biombo, uma poltrona de camurça vermelha de encosto muito alto a ponto de ocultar quem está nela. Ele vê uma fumaça como se fosse de cigarro subindo por sobre o encosto. O ângulo não permite ver quem está nela, pois a cadeira está de costas pro resto da sala posicionada ao lado e uma estante de livros e de uma janela que dá pra o ambiente externo. Douglas caminha até lá e vê a coleira do gatinho "Fudêncio", e tenta perguntar ao homem na cadeira se ele tinha pêgo o gato, mas para medo e surpresa dele ao olhar do outro lado da cadeira de encosto alto, a fumaça estava surgindo do ar, no meio do nada e nao havia ninguém sentado. Ele coloca a mão na poltrona e sente que ela está quente. Yasha chega por detrás dele e pergunta o que ele está procurando. A pergunta feito de supetão o assusta e ele tosse com o cigarro de "tchó" que estava fumando.
Douglas Rambeau explica o sumiço de "Fudêncio" e ambos começam a procurar e conversar. Em determinado momento, Yasha desaparece deixando Douglas confuso e ela reaparece descendo com Richard do segundo andar que estava procurando Jô. Ao ver Yasha magicamente reaparecer em outro lugar, Douglas sofre um medo tão grande que ele desmaia. Com ajuda de Yasha Richard o acorda e ele assustado rasteja no chão batendo as costas na estante de livros que tomba e quebra o vidro da janela que estava de frente pra poltrona. Douglas se reestabelece com ajuda de Richard e Yasha, e se desculpa com Yasha.
Yasha diz que vai pedir ao zelador pra trocar o vidro antes que os avós dela percebem. Douglas diz que Yasha é assustadora e Yasha começa a chorar dizendo que Douglas a acha feia. Ele se desculpa, dizendo que é so nervosismo. Richard diz que Katarynna achou o gato de Serena, mas que Jô sumiu só de toalha. Eles saem para procurar e passam no quarto de Serena. Eles a veem desmaiada e com sinais de hipotermia. Eles fecham a porta e ligam o aquecedor.
Em conversa Richard diz que Serena tomou muita chuva e que nem tomou banho e que pode ter sido isso. Douglas concorda. Serena então acorda respirando fundo e desesperadamente como se tivesse afogando. Ela não lembra o que aconteceu, mas diz ter visto olhos amarelos na janela e um vento gelado vir do aquecedor. E então apagou. Richard e Douglas concordam que tem algo muito errado naquele lugar.
Jô por sua vez é levado para um local onde ele ouve uma microfonia e sente calor. Ele pergunta a Richard:
"Está me levando onde, Richard?"
Mas ninguém responde. Em algum momento a mão o solta, ele continua a com a visão turva. Mas a visão se recupera alguns segundos depois. E ele vê o inexplicável. Ele está numa sala que parece um universo com estrelas e nebulosas, mas o mais impactante é o que está na frente dele... Um buraco negro com um halo dourado, um disco de acreção. Jô olha fascinado aquilo até que do horizonte de eventos, dois olhos amarelos se abrem, como olhos de gato, e ele em pânico e horror desmaia. Mas a microfonia que ressoa no ambiente continua o perturbando em sua inconsciência.
sábado, 15 de novembro de 2025
conversão realitate cbpk 2020
- Cura Mínima - INT + Poder Mágico (Habilidade de Classe) + Nivel elemental + 1d10 vs dif 15 - Recupera 3 Níveis de Vida.
- Cura Maior - INT + Poder Màgico + Nivel elemental + 1d10 vs dif 20 - Recupera 6 Níveis de Vida.
- Cura Suprema - INT + Poder Mágico + Nível Elemental + 1d10 vs Dif 25 - Recupera 9 níveis de vida.
- Espada de Luz - INT + Poder Mágico + Nivel elemental +1d10 vs 25
domingo, 6 de julho de 2025
[ARC] DIÁRIO DO INDIE
Diário do Indie Boy, Arthur Reese-Coller (ARC).
2 de outubro
A bomba caiu no café da manhã: estamos nos mudando pra uma tal de ilha Drauka. Litoral, mar, brisa... e conservadorismo com cheiro de mofo, cortesia dos meus pais. A casa nova parece saída de um conto gótico florido — primavera por fora, outono por dentro. Steph fingiu não ligar, como sempre. Eu? Finjo também. Mas talvez essa mudança seja minha chance de deixar pra trás o Arthur medroso de São Bernardo. Quem sabe eu vire alguém que não treme ao pedir ketchup extra. Pequenos passos.
domingo, 15 de junho de 2025
EPR - Magias que Sasha Arno Penzias-Costa criou em 1891
Maldição Liminar de Sasha (Nível 0, Protomagia, 1 ponto)
Receita: Trace um círculo com folhas de Erva do Ruído (Erva nativa da Coréia e de Serra do Lago), no meio desse círculo forme um hexagrama de sal com uma vela em cada vértice. No meio coloque um objeto. Recite em nheengatu:
Urupiki pé maĩna iakaru kamurisa tapete rupi: yandeuru, mirĩ, yandeuru mirĩve, yandeuru mirĩeté.
Traduzindo para o português arcaico, que é outra possibilidade de conjurar:
"Trago os passos em silenço sobre o tapete de camurça: hum círculo, outro menor, outro círculo, menor inda, outro círculo."
Efeito: Dê o objeto encantado a pessoa amaldiçoada. O efeito imediato não é visível. Ele ocorrerá após o primeiro sono maior que 40 minutos. O logos (alma se preferir) da pessoa será transportada um espaço liminar criado dentro do Oniron.
Onde ela ficará eternamente presa lá até descobrir a senha pra sair.
Custo: 1 ENG
Itens Necessários: Objeto pessoal da vítima, 6 velas, sal, erva do ruído.
Pré-Requisito: Sala de Ames e Oníron.
quinta-feira, 5 de junho de 2025
[Editorial] Estou cansado, chefe - II
Oi, voltei.
Minha mãe é uma mulher religiosa. Devota mesmo, dessas que veem a mão de Deus em cada esquina, e que educam os filhos com a Bíblia numa mão e a oração da manhã na outra. Mas minha mãe também sonhava alto — um sonho meio divino, meio burguês. E por causa disso, eu fui uma criança pobre crescendo entre ricos, ainda que só aos domingos.
Nossa igreja não era da quebrada. Era um daqueles espaços modernos clean, com luz fria, telão, café na entrada e música worship tocando em volume alto — onde os pastores falam como executivos e os filhos dos fiéis estudam em colégios com mensalidades de quatro dígitos. Eu ia de chinelo, com camisas que imitavam — mal e porcamente — as dos meus colegas. Tênis falsificados, quase-All Stars, quase-Nikes.
Minha mãe acreditava que esse convívio me faria bem. Que eu aprenderia a ser “uma pessoa educada”, dessas que falam baixo, leem filósofos e ouvem músicas elevadas. Então ela deu um jeito de me pôr em aula de piano (não sei como pagava), dizia pra eu estudar Platão antes de dormir, e me presenteava com CDs de hinos americanos tocados ao violino, enquanto meus colegas ricos ou ouviam rock, ou escondiam seus próprios vícios musicais em fones caros.
Eu, no fundo, nunca gostei de funk — mas gostaria de ter podido me esconder mais com os funkeiros da escola. Sentar com eles, rir com eles, fazer parte daquele mundo livre de culpa. Ao invés disso, eu ouvia rock escondido, trancado no quarto, com o volume baixo. Minha mãe acreditava que os ouvidos eram portas espirituais — e que o rock era um veneno diabólico disfarçado de guitarra. Cada acorde era uma infração secreta.
Na escola pública, eu era o esquisito. Filho da crente, o que fala difícil, o que não joga bola, o que cita Nietzsche na redação. Um alvo fácil. Mas também não pertencia aos filhos da elite gospel da igreja. Eles sabiam sorrir no tom certo, tinham planos de intercâmbio, sabiam nomear as universidades “de Deus” que frequentariam. Carregavam um senso de pertencimento que vinha da certeza de que estavam no caminho certo. Eu era só um figurante.
Minha criação produziu um paradoxo: educado demais pros meus, pobre demais pros outros. Virei um bicho híbrido, sem manada. E foi nesse entre-lugar que comecei a criar mundos onde eu pudesse existir de verdade.
Foi assim que nasceram "As Crônicas de Serra do Lago". A cidade fictícia, com suas famílias tradicionais, suas liturgias decadentes, seus códigos de honra, nasceu da mistura de raiva e fascínio que eu sentia por esse mundo que me rejeitava e, ao mesmo tempo, me atraía.
A crítica que faço ali — às elites religiosas, aos valores que fingem moralidade enquanto escondem privilégio — vem da minha experiência como infiltrado. Eu era o garoto da classe D que sabia quem era Tchaikovsky, que lia Shakespeare no recreio e fazia piada com a liturgia. Eu queria ser como eles, mas também queria desmascará-los.
Personagens como Daniele — boas apesar do sistema — talvez representem a esperança de que existe algo de humano ali. Mas é na crítica, na sátira e na criação que eu sobrevivo. Que eu me vingo.
E talvez aqui caiba uma menção honesta à minha primeira namorada — uma garota gótica, alternativa, livre, que minha mãe odiava sem nunca tê-la conhecido. Ela era, pra minha mãe, a prova viva da “degeneração do mundo”: tinha 19 anos e não era virgem. Era tudo o que uma mulher não podia ser no vocabulário da igreja. E, por isso mesmo, era tudo o que me fascinava. Eu namorei escondido, tremendo de medo, mas também com um gosto de liberdade que nunca mais senti do mesmo jeito. Minha mãe queria que eu me casasse virgem com uma virgem da igreja. Eu só queria poder amar alguém sem me esconder.
Talvez eu tenha errado muito na vida — e pago o preço. Talvez eu esteja errado sobre tudo. Sobre o que penso, sobre o que vivi. Talvez eu seja injusto até com as classes mais pobres, que, no fundo, quase nunca têm o apoio de ninguém — muito menos do Estado. O que escrevo pode soar como faniquito de menino rico, ainda que rico eu nunca tenha sido. Talvez muitos gostariam de ter tido alguém que os impedisse de cair em certos buracos da vida. Mas aí vem a pergunta: que virtude há em agir certo se o erro não é uma opção? Obedecer por medo não é virtude. É só programação. Tal como robô.
Hoje, tento experimentar pequenas liberdades — pelo menos aquelas das quais não tenho tanto medo. Pois o medo ainda é uma constante. E mesmo fora da casa dos meus pais, não posso me permitir certos luxos que talvez uma adolescente normal pudesse ter. O que mais dói é saber que certas experiências têm seu tempo — e quando ele passa, elas não voltam. Sei disso porque dei esse conselho a uma pessoa que sofreu do mesmo mal que eu: mais jovem, tentando viver aos 30 o que não viveu aos 19. Tentando curtir, dançar, beber, transgredir… mas sozinha, ou mal acompanhada, as experiências vêm com gosto amargo, de atraso. E eu disse a ela o que hoje também sirvo de lembrete pra mim: às vezes, a gente precisa aceitar que certos momentos não voltam. Se isso é injusto, é porque o mundo é injusto. E aceitar isso não é resignação de covarde — é inteligência de general que não desperdiça soldados numa guerra perdida. Só temos uma vida. Temos que vivê-la bem.
E entre todas as consequências da minha criação, talvez a mais silenciosa e devastadora seja essa: a solidão. Fui um adolescente com pouquíssimos amigos. Um jovem adulto ainda mais isolado. E hoje, já casado, sou um adulto sem amigos. Os únicos vínculos reais que mantenho são online — pessoas queridas, mas distantes, que talvez eu nunca veja pessoalmente. E isso não é culpa da tecnologia, nem do tempo. É o resultado de ter sido criado num mundo onde o diferente era perigoso, o mundano era imundo, e a amizade era restrita a quem repetia os mesmos versículos. Cresci aprendendo que confiar em gente de fora era abrir brecha para o diabo entrar. E esse medo social, essa barreira invisível entre mim e o mundo, me acompanha até hoje — como um vidro grosso que me separa das festas, dos vínculos espontâneos, dos grupos que se formam sem esforço. Eu vejo tudo isso de fora. Ainda hoje.
Assim como essa pessoa que aconselhei, eu não aprendi a gostar de baladas. Não aprendi a beber — embora hoje eu já me adapte como bebedor social. Não aprendi a fumar, embora a curiosidade exista. Mas imagino que, se aprendesse agora, pagaria o preço com os pulmões de um velho com enfisema. Não sei curtir shows, me sinto deslocado. Me sinto oprimido em meio a aglomerações. E não, eu não sou autista — e talvez nem mesmo introvertido. Se sou, fui feito assim. Fui condicionado.
Roger Scruton dizia que há duas formas de viver: proteger o que se ama ou destruir o que se odeia — e que a primeira é superior. Mas só pode amar esse mundo quem foi amado por ele. Eu não fui. Tudo que amei me foi censurado. Me foi arrancado. Então não, eu não tenho por que amar esse mundo.
O catolicismo, com todos os seus horrores históricos, ao menos me mostrou uma fresta de humanidade. Foi através da fé aberta e branda da minha esposa católica que eu descobri um outro modo de religiosidade — um que não me amaldiçoava por existir.
sexta-feira, 30 de maio de 2025
[Editorial] Estou cansado, chefe.
Antes de mais nada, gostaria de saudar todas as garotas emo, góticas, egirl, funkeiras, e alternativas em geral.
Dizem que minhas personagens femininas no RPG são marcantes... Acho que sei o porquê, e você vai entender ao final desse desabafo.
Tem uma onda varrendo a internet ultimamente — e tá exaustivo. Onde quer que eu olhe, parece que vejo a mesma imagem reciclada: a tradwife, ou “esposa tradicional”. Ela aparece em foco suave, talvez com um vestido de gingham, assando um pão de fermentação natural, exaltando as virtudes da submissão, dos papéis de gênero tradicionais e de uma estética dos anos 1950 que a maioria de nós nunca pediu de volta. E, sinceramente, tô cansado, chefe.
Não tô bravo com mulheres que escolhem o que funciona pra elas. Não é sobre isso. Autonomia é autonomia, mesmo que leve a aventais e touquinhas de bebê. O que me cansa é a idolatria desse papel como se fosse uma correção moral à feminilidade moderna — apresentado como antídoto às “falhas do feminismo” ou ao caos da libertação sexual. Como se o mundo fosse curado se as mulheres apenas sorrissem mais, postassem menos e voltassem a cozinhar batatas pro jantar do marido.
Sou um homem dos anos 2000 — criado na bagunça cultural do final dos anos 90 e começo dos 2000. Era uma época que involuntariamente fomentou boa parte dos retrocessos de hoje, Trump, Bolsonaro, etc, pois foi o período de ascensão evangélica no Brasil e a "democratização da pornografia" via internet (embora essa tenha tido um efeito contraditório, onde a mulher foi vulgarizada como coisa, mas ao mesmo tempo os homens queriam pela primeira vez saber quem era a mulher por detrás do corpo escultural). E me tornei em parte por causa disso um reacionário... Até que cansei. E então comecei a ver que que esse "destrismo" na verdade era uma negação dos princípios que gostava no meu tempo. Comecei a perceber que na verdade, eu cresci numa época em que estávamos aprendendo, talvez de forma desajeitada mas sincera, a valorizar mulheres complexas. Mulheres independentes. Mulheres esquisitas. Mulheres que não sorriam sob comando. Então, de repente, tudo desandou.
Tínhamos as garotas góticas, emo, riot grrrls. Mulheres que não fediam a felicidade doméstica — estavam escrevendo poesia no blog, pintando as unhas de preto e gravando CDs que soavam como um coração partido em estéreo. A gente se apaixonava por elas não porque queriam nos servir chá, mas porque lembravam que as mulheres tinham profundidade. Eram arte. Eram selvagens. Eram humanas.
Então descobri depois dos 30, depois de militar por causas nefastas, que não era aquilo que eu queria. Eu queria aquilo que os anos 2000 me prometeram, e o capitalismo não entregou. Não diria ainda que sou um progressista. Mas certamente não sou mais um reacionário. Eu simplesmente, estou cansado do que o mundo se tornou. E vejo que de certa forma, os "novos velhos valores conservadores", está destruindo o mundo que eu amei, e trazendo como sempre, ameaças a liberdade das vítimas de sempre, as mulheres.
Então voltamos ao RPG... Acho que decidi transpor aos poucos essa energia criativa para o RPG, por isso minhas personagens femininas são tão marcantes. Gosto de mulheres que tenham personalidade forte. Que ousem falar, que ousem gritar, mesmo que as vezes digam coisas que eu não quero ouvir. A minha percepção sobre isso ficou ainda mais intensa ao jogar uma variedade steampunk do cenário de Serra do Lago. Garotas recatadas e de papéis de gênero tradicionais são extremamente entediantes. Elas quase não falam, seus parceiros tem total autonomia, e ela parecem que estão ali só de enfeite. A gente simplesmente se esquece que elas existem. Você pode até dizer que alternativas são quebradas, são problemáticas e vão te meter numa terapia... Mas honestamente... O tédio também leva a terapia. E se é pra dar dinheiro pra psicólogo, que eu pelo menos tenha boas risadas e uns porres pra me arrepender.
Meu estilo narrativo
Ao longo dos anos, percebi que meu estilo de narrar RPG não se encaixava perfeitamente nas categorias mais comuns. Eu não sou exatamente um ...
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