Quando vamos jogar RPG, em geral pensamos em três categorias: Sistema, gênero e cenário.
| Vampiro Hoje |
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Sonor, 4 de Veraneio de 230 d.c.
Em seu testamento, escrito no início do presente ano, deixou de herança seu acervo com mais de 4000 obras escritas, para várias instituições das raças nobres. 1000 volumes sobre história e teologia foram dadas em herança a Tomis de Merchantry, reitor do Grande Seminarium em Surnalis. 1000 volumes sobre filosofia foi entregue à côrte de Wellas VI em Austral. 1000 volumes sobre magia foi dada a Universidade Arcana de Ática nas mãos do mago Lucius e de sua esposa Ária Volitir, reitora da universidade. E por fim, os últimos 1000 volumes com temática desconhecida foram entregues ao rei Snir dos elfos negros em Austral.
A respeitabilidade de Peeka-peer era tamanha, que mesmo os elfos negros decretaram luto oficial de uma semana em razão da morte do grande cérebro que contou o pouco que se sabe sobre o mundo que antecedeu a Catástrofe. A enorme maioria das obras são inéditas e muitos intelectuais estão curiosos para conhecer o seu conteúdo. Espera-se que elas possam trazer luzes não apenas sobre sua extraordinária longevidade mas como também ampliar o conteúdo de sua obra mais importante: "O mundo que conheci: 10 a.c à 200 d.c.", que é um relato testemunhal e uma sólida investigação histórica das épocas indicadas.
Alguns estudos preliminares já feitos no Grande Seminarium de Surnalis trouxeram boas opiniões acerca de algumas das ideias de Peeka-Peer. Tomis de Merchantry, o superior geral da ordem, avançou alguns comentários no jornal O Trovador de Surnalis; segundo ele:
"-No tomo IV da obra póstuma "A história da tradição dos elfos" de Peeka-peer traz algo que bem conhecido por nós, aslameristas. A religião ancestral tal como existe é uma versão corroída da verdadeira tradição élfica que se perdeu com a Catástrofe, que foi causada pela luta sem limites entre elfos e elfos negros, o que levou a uma luta cataclísmica de magos ultra-poderosos. A verdadeira tradição élfica não acreditava na Entropia como o fim do mundo, mas como o início de uma nova era, onde os princípios da Virtude e do Vício encontrariam o equilíbrio e não necessariamente através da destruição do mundo. O que é condizente com o que Aslameru Ichté nos revelou".
A ala conservadora da Assembléia não se pronunciou sobre estas declarações, mas que estas declarações muito provavelmente não os agrada, é de conhecimento público.
Em Ática, Ária Volitir, reitora da Universidade Arcana e autora do popular "Principia Magia", obra introdutória para alunos da universidade, também avançou com alguns comentários preliminares.
- Havia magias extremamente poderosas que são impossíveis de se executar hoje sem uma reserva de mana gigantesca igual ou maior que a da novamente desaparecida Pedra do Tritão. Peeka-peer conta que Olore guardou um tomo num forte nas colinas de Maiar-Atur, contendo uma magia de viagem no tempo. Sabemos por meio de Peeka-peer em seu magnum opus que Maiar-Atur se tornou o continente norte, mas onde nele exatamente, não se sabe onde.
Ninguém da côrte de Wellas VI se pronunciou ainda sobre o conteúdo dos tomos que lhe dizem respeito e o rei Snir ainda não delegou ninguém para o estudo dos tomos que lhe cabem.
Meus jogadores que conhecem bem o meu cenário já conhecem o nome dessas duas lendas das minhas mesas. De um lado a barda Scarlett Red, que dá as caras no heroísmo no ano 200 d.c e Shaninkwa Spectre, uma guerreira mercenária com um parafuso a menos, mas muito poderosa que quis o destino que se convertesse numa templária do vício e que fosse até as distantes terras de Elfium em busca da armadura de Pompeus. Abaixo, farei uma pequena linha do tempo da vida de ambas, pois elas se cruzam muitas vezes.
Linha do tempo:
Ivan passou por um mendigo cabisbaixo encostado na mureta do chafariz em construção e perguntou:
- Opa, firmeza?
O mendigo olhou para ele como se visse uma parede em branco, sem qualquer emoção. Não respondeu.
- Então, é cedo ou a cidade é bem paradona assim mesmo?
O mendigo sorriu com a boca meio torta (ou pelo menos pareceu, pois estava parte dela embaixo de uma barba suja e desgrenhada) e disse:
- Esse lugar não tem muita vida, se é que me entende.
- Então, estou vendendo uns cigarros e vejo que o senhor tem aí 10 reais. Te faço esse pacote aqui por 10, o que acha? - Ivan queria ver o quão maleáveis eram os citadinos.
O mendigo coçou a barba e pensou que fumar daria um bom alívio naquele que seria mais um dia de cão.
- Tá, tá! Me vê o pacote aí. - Disse o mesmo apontando para o chapéu.
Ivan se abaixou, pegou o dinheiro e deixou o pacote. O mendigo desembalou um maço, retirou um cigarro e perguntou: - Tem isqueiro?
Ivan acenou com a cabeça positivamente, pegou o isqueiro no bolso e deu ao mendigo.
- Cortesia. - finalizou.
O mendigo agradeceu com olhar meio insano.
- Você é gente boa, é melhor ir embora antes de arranjar problemas. - Disse ele entre uma tragada e outra - Conselho de quem conhece a vizinhança.
Ivan franziu o cenho curioso.
- Como assim? - Perguntou.
- Acredite em mim. Você não vai querer saber. Se quiser dar uma olhada, fique a vontade, mas não fique muito tempo e evite ficar de prosa.
Ivan achou aquilo estranho. Havia achado o local perfeito para se instalar e recomeçar o império do crime de sua família, mas um estranho mendigo no meio de uma praça semi-deserta o havia recomendado o contrário. Ivan já havia trocado tiros com milicianos, traficantes e policiais. O que um bando de caipiras que falam de bombacha e que falam "tchê" poderiam fazer de mal? nem na rua punham as caras!
- Obrigado pelo conselho... - Ivan falaria algo mais mas o mendigo, com cortesia zero o interrompeu.
- Cala a boca. Evite ficar zanzando nas bordas da cidade. Coisas ruins acontecem por lá e, se possível, vá embora antes de anoitecer.
Ok, o cara me mandou calar a boca - pensou Ivan - agora esse cara está me aborrecendo.
- O que poderia acontecer de ruim?
O mendigo olhou para Ivan com olhar ensandecido após uma tragada e começou a rir com tom de voz fraco, mas sem cessar.
Ivan se aborreceu mais ainda, mas preferiu sair e tentar um diálogo com alguém menos louco. Já estava se sentindo patético de perder tempo com um mendigo. Só Deus sabe que tóxicos essa cara já deve ter usado, pensou. Ivan acenou ironicamente, como quem dava adeus e foi saindo em direção a um banco atrás em diagonal. O mendigo pareceu achar ainda mais graça do gesto.
Ivan fez isso pois viu uma jovem magra mas de belo rosto sentada num banco mais atrás olhando para a praça distraída, e quando se aproximou quase não percebeu o olhar de pânico que ela fez.
- Er... Olá, jovem. Está tudo bem?
A moça engoliu o soluço que estava prestes a soltar e acenou positivamente com a cabeça.
- Você sabe onde tem um mercado aqui? Eu não sou daqui estou de passagem vendendo algumas quinquilharias. - Disse ele ainda desconfiado.
A moça, pálida, ficou uns dois segundos olhando para ele inerte antes de responder.
- A.. Aqui atrás tem um. - E apontou o polegar direito para a porta do estabelecimento.
Ivan achou o comportamento bizarro. Essa gauchada roceira, gente esquisita, pensou ele.
A moça pareceu desinchar e corar de novo, como quem soltasse um ar aliviado.
- Tem certeza que está tudo bem? - Ivan tornou a perguntar.
- Sim, sim. Peço desculpas. Achei que fosse outra pessoa. - Disse a moça.
- Qual seu nome?
- Jéssica - respondeu ela.
- Prazer, Ivan - disse ele estendendo a mão como quem esperasse um cumprimento igual - Você é daqui?
Jéssica estendeu a mão e quase se arrependeu com o aperto de mão forte a ponto de estalar os ossos que Ivan deu.
- Não, não. Estou só de passagem também. - Respondeu.
- Fuma?
- Já fumei quando mais jovem. Hoje não, preciso do meu corpo saudável para trabalhar... Mas nada contra - Disse ela.
Ivan achou a justificativa estranha. Pensou que a moça era prostituta, mas não falou nada. Apenas remoeu a informação e pensou: Ótimo, Ivan. Com o mendigo e a moça você já pode montar um camelódromo e um puteiro na cidade.
- Bem, eu vou entrando. Obrigado pela atenção. - Disse encaminhando-se para a porta do mercado. Se não fosse pela indicação de Jéssica, Ivan não teria notado tamanha a degradação da tintura do letreiro na parede. Entrou, viu o mesmo cenário que Jéssica. Um caixa que parecia estar dormindo de olhos abertos e um arrumador de prateleiras tão sem vida quanto. Ao se aproximar percebeu que ambos tinham um tom de pele acinzentados, chegou a levantar os óculos para confirmar e ao confirmar, começou a temer que o mendigo tivesse razão. Porém, achando-se ridículo, afastou os maus pensamentos com uma hipótese mais prosaica.
Esse povo não deve tomar sol, carência de Vitamina D eu acho. - pensou.
- Olá, em que posso servi-lo, senhor? - Perguntou o caixa.
- Sou Ivan, vendo cigarros e outros produtos. Vocês estão comprando algo? Tenho cigarros e aparelhos de IPTV.
O caixa pegou uns papéis debaixo do caixa registrador antigo (um modelo que devia datar da década de 70) e olhou. Pareceu fazer contas e respondeu com voz lenta e monótona:
- Sim, senhor. Compramos sim.
Ivan deu um preço cinco vezes maior que o que deu ao mendigo na esperança do vai que cola e, sem pensar duas vezes, o caixa retirou os 50 reais e pagou-o. Ivan deixou o pacote de cigarros sobre o balcão, pegou o dinheiro, conferiu para ver se era verdadeiro e, confirmando, pôs na carteira.
- Obrigado. - disse Ivan ainda incrédulo - Vocês sabem quem compra eletrodomésticos na cidade? - Complementou.
O caixa continuou olhando para Ivan sem nada responder.
- Sabe? - Insistiu.
...
Silêncio apenas.
- Olá, em que posso servi-lo, senhor? - Perguntou o caixa com voz idêntica a que falou da primeira vez.
Ivan já estava se sentindo estranho na cidade e o sujeito ficar encarando-o sem responder e depois repetir tal qual um gravador a fórmula mais que decorada de "em que posso servi-lo" o fazia se sentir mais estranho ainda. Ivan, por fim, acenou com a cabeça e se despediu.
- Err... Obrigado. - falou saindo.
- Volte sempre - disse o caixa com olhar inerte.
Ivan ao voltar seus olhos novamente para a praça viu que a moça já se havia levantado do banco e estava conversando com duas outras pessoas do outro lado da praça. O mendigo por sua vez olhava para ele rindo as gargalhadas e fumando animadamente o cigarro.
Ivan teve um mau presságio.
Uma das formas mais eficientes de proporcionar imersão em um jogo de RPG é você descrever bem os elementos físicos que compõem os lugares, tais como características das cidades, das pessoas, os estilos de arte envolvidos na arquitetura, o tipo de clima e de vegetação, e para oferecer um enriquecimento desse tipo a quem usa o cenário Insular, estamos disponibilizando a classificação de Köppen dos climas do mundo.
A classificação é baseada no pressuposto, com origem na fitossociologia e na ecologia, de que a vegetação natural de cada grande região da Terra é essencialmente uma expressão do clima nela prevalecente. Assim, as fronteiras entre regiões climáticas foram selecionadas para corresponder, tanto quanto possível, às áreas de predominância de cada tipo de vegetação, razão pela qual a distribuição global dos tipos climáticos e a distribuição dos biomas apresenta elevada correlação.
Na determinação dos tipos climáticos de Köppen-Geiger são considerados a sazonalidade e os valores médios anuais e mensais da temperatura do ar e da precipitação.[3] Cada grande tipo climático é denotado por um código, constituído por letras maiúsculas e minúsculas, cuja combinação denota os tipos e subtipos considerados.
Ao longo dos anos, percebi que meu estilo de narrar RPG não se encaixava perfeitamente nas categorias mais comuns. Eu não sou exatamente um ...