sexta-feira, 24 de maio de 2024

[CONTA] O Sopro

Esta é uma história de Celso Alencar inspirado no Cenário "Crônicas de Serra do Lago/O Sopro". 


Serra do Lago, 2007.

                                      Marjourie observa o reflexo do rosto da irmã que possuiu, enquanto ainda está de frente para o espelho e pensa:

Irmãzinha, eu sinto que no âmago de sua essência, ainda não desistiu, mas você não era assim. O que aconteceu com aquela garota fraca?

— Filha! — dona Guilhermina entrou pela porta do banheiro. — Viu a sua irmã? Ela sumiu.

Marjourie hesitou ao ver sua mãe, uns anos, mais velha e no fim respondeu: — Dormindo, já ela acorda.

— Deixa ela descansar salvar aquelas pessoas do vampiro, deve ter sido cansativo demais. — afirmou a anciã, fazendo carinho no cabelo da filha, mas sem bagunçar sequer um fio de cabelo.

Vampiro? — Marjourie pensou sem entender nada. — Isso não importa tanto, ainda não controlo o corpo da Marisa completamente, preciso esmagar a consciência dela.

                             — Mãe eu vou meditar um pouco, não deixa ninguém me atrapalhar. — disse a pequena correndo para a biblioteca.

— Desde quando você medita? — dona Guilhermina se perguntou, mas não fez tanta questão de indagar a filha.

                            Marjourie praticamente se escondeu na biblioteca, ela era tão experiente em magia, que apenas com sua meditação conseguia acessar o Oníron, mais precisamente onde Helena estava.

— Que coisa lamentável — a bruxa balbuciava enquanto que naquela dimensão, voltava a ter seu corpo, olhava para a loura presa em uma maca por cordas grossas. —, você é apenas um animal adestrado.

Helena gritava na direção de Marjourie, no instante em que médicos alemães furavam algumas de suas veias.

— Se não consegue sair disso, não devia nem se considerar uma bruxa, se me der licença. Vou visitar minha irmã.

                                A chorosa Marisa, ao longe vê uma adolescente que se parece em parte com a mesma: — O que foi irmã? — perguntou para a filha mais nova de dona Guilhermina. — Por que não desiste?

— Você sabe o que a mamãe sempre quis, não sabe? Que eu nunca tivesse morrido nem você nem aquela aberração em forma de criança podem sanar essa demanda, mas eu consigo. Apenas durma.

— Mamãe? — Marisa se lembrava de Guilhermina. — Ela não sabe o que aconteceu aqui...

— Faz diferença? — Marjourie interrompeu a irmã, sem remorso algum, enquanto sorria.

— Nossa mãe, sempre vai preferir a mim, não importa o quanto me imite. Você nunca saberá magia e nunca, será eu.

           Marisa, Marisa? — a irmã menor lembrava-se da voz de Helena. — Você não precisa se diminuir para caber em lugares pequenos, sabia? — era uma conversa que elas tinham tido no carro da família.

— O que é isso Marisa? Você ousa ficar de pé diante da minha presença? — Marjourie perguntou-a, com certa irritação.

Você pode ser uma bruxa baseando-se em runas! — Marisa sorriu ao lembrar-se do conselho da irmã adotiva e disse para a mais velha: — Eu não sou a filha que ela quer, mas a que ela tem!

— Ora sua garota desaforada! — Marjourie se transformou em adulta para encarar a irmã. — Nem aquela coisa presa em um corpo de criança pôde comigo, o que te faz pensar que conseguirá? 

                             — Helena é uma irmã melhor do que você jamais tentou ser, a mamãe ficou muito feliz e sinceramente, eu também. Sabia que ela me ensinou um feitiço? Lembra que as palavras tem poder?

— Só para quem sente magia e não é o seu caso. — Marjourie acusou.

— Vou te ensinar uma palavra nova! — Marisa exclamou. — Geist!

Marjourie arregalou os olhos ao ver que sua irmã menor se afastava rapidamente, depois de soprar na direção dela: — Que magia é essa?

Já Marisa, definitivamente despertava na biblioteca de sua casa e gritou aos quatro ventos: — Eu venci! — ela brandia os braços para cima.

— Derrotei a minha irmã? — perguntou-se. — Essa empolgação e sensação de poder. Por acaso, é magia?! — Marisa indagou-se.  

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