sexta-feira, 20 de setembro de 2024

SiRMIS - Esboço de mundo cyberpunk

 Space Research Monitoring Integrated System (SRMIS as acronym)

I. O Início da Desintegração: 1980-2020

O colapso dos Estados Nacionais começou nas últimas décadas do século XX, com a ascensão do neoliberalismo nos anos 1980. Políticas de desregulamentação, privatizações e cortes em programas sociais enfraqueceram o papel do Estado como regulador e provedor, enquanto a globalização econômica consolidava o poder das corporações multinacionais. A era do fordismo, com suas fábricas massivas e trabalho em massa, foi substituída por um modelo econômico mais flexível, descentralizado e precário, impulsionado pela automação e pelo avanço da tecnologia da informação.

Nos anos 2000, as crises financeiras abalaram as bases do capitalismo global. A crise dos subprimes em 2008 expôs a fragilidade dos mercados e a dependência dos Estados em relação às instituições financeiras. A social-democracia, que sustentava um equilíbrio entre capitalismo e bem-estar social, começou a perder tração. Os Estados, cada vez mais endividados e sem ferramentas para controlar a economia globalizada, foram se tornando obsoletos.

A pandemia de COVID-19 nos anos 2020 acelerou esse processo. Governos ao redor do mundo mostraram-se incapazes de responder de maneira eficaz a uma crise sanitária e econômica de tal magnitude. A população, já desiludida, passou a questionar a legitimidade e a capacidade dos Estados em garantir a segurança e a prosperidade. As criptomoedas, inicialmente vistas como um experimento marginal, se tornaram uma alternativa viável ao dinheiro estatal, proporcionando anonimato e autonomia financeira.

II. O Fim do Fordismo e a Ascensão da Tecnoeconomia

Com o declínio do fordismo, que era baseado na produção em massa e na estabilidade laboral, as economias globais migraram para um modelo de produção fragmentada, impulsionado pela automação e pela internet das coisas. Pequenos hubs de inovação tecnológica substituíram as fábricas monolíticas, e a economia global passou a ser gerida por algoritmos, inteligência artificial e blockchain.

As criptomoedas se expandiram rapidamente, tornando-se uma força dominante na economia mundial. Bancos centrais perderam o controle sobre a política monetária, enquanto corporações financeiras, como a Bankript, dominaram o fluxo global de capitais. A centralidade do dólar foi abalada, e as moedas digitais passaram a ditar as regras do mercado.

A social-democracia, que dependia de um Estado robusto e interventor, tornou-se obsoleta. Governos já não possuíam a capacidade de controlar suas próprias economias, e as políticas redistributivas foram substituídas por uma austeridade severa, gerando uma desigualdade sem precedentes.

III. O Colapso dos Estados Unidos e a Guerra Civil 2.0: 2033

O ponto de ruptura foi a Guerra Civil 2.0 Americana, em 2033. Divisões políticas e sociais atingiram o auge quando a Costa Oeste, liderada pela Federação Californiana, se rebelou contra o governo central. A guerra culminou com a Costa Oeste lançando bombas nucleares na Costa Leste, devastando Washington, Nova York e outras cidades.

O colapso dos Estados Unidos desestabilizou todo o sistema financeiro global. O dólar, que já estava enfraquecido, perdeu completamente seu valor. Bancos centrais ao redor do mundo foram incapazes de manter a estabilidade econômica, e a Bankript, que controlava a maior criptomoeda global, assumiu o papel de fornecer liquidez ao mercado. As pessoas, em pânico, abandonaram o dólar e outras moedas estatais, recorrendo a criptomoedas para transações diárias e armazenamento de valor.

Com o colapso dos EUA, outros países seguiram o mesmo caminho. Bancos centrais foram privatizados e absorvidos pela Bankript, cidades e estados se tornaram entidades autônomas governadas por corporações. O conceito de Estado-nação foi dissolvido, e o mundo se fragmentou em zonas de influência corporativa.

IV. A Era das Corporações: 2040-2070

Sem a moderação da social-democracia e com o capitalismo desenfreado, a crise ambiental atingiu um ponto crítico. O derretimento do permafrost na Sibéria liberou toneladas de metano, acelerando o aquecimento global. Por volta de 2062, a Rússia se tornou uma floresta tropical densa, enquanto partes do Ex-Brasil se transformaram em um deserto árido. A Ex-Inglaterra, última grande força econômica ocidental, agora possui um clima tropical, semelhante ao que outrora foi encontrado nas colônias.

Com a devastação ambiental e a escassez de recursos, corporações se uniram para explorar o espaço em busca de alternativas. A SiRMIS, uma megacorporação formada pela fusão das maiores empresas do planeta, assumiu a liderança na exploração de exoplanetas e na terraformação, buscando expandir o domínio humano além dos limites da Terra.

V. A Sociedade Pós-Estado

As condições sociais deterioraram-se brutalmente. Sem Estados para fornecer serviços básicos, as populações das antigas nações se aglomeram em megacidades controladas por corporações, vivendo em condições de extrema desigualdade. Segurança, saúde e educação são privilégios disponíveis apenas para aqueles que podem pagar.

As antigas nações são agora conhecidas como “Ex-países”: Ex-Inglaterra, Ex-Rússia, Ex-Brasil, entre outros. A identidade nacional foi substituída por lealdades corporativas e a população global é dividida entre os que servem as corporações e os que lutam para sobreviver nos vastos territórios sem lei.

VI. A Nova Ordem Global

A única grande potência estatal remanescente é a China, que se adaptou rapidamente ao novo paradigma, mantendo um controle rígido sobre sua população e infraestrutura, enquanto adota tecnologias avançadas de vigilância e criptografia estatal. O resto do mundo é um mosaico de enclaves corporativos e zonas de conflito onde facções lutam pelo controle dos recursos remanescentes.

INÍCIO

   [TERRA, 2096]


A era pós capitalismo-tardio enfim chegou para a raça humana. O consórcio de corporações privadas chamado “SiRMIS” [ (Sistema Integrado de Rastreamento e Monitoramento Espacial)] tem posse de todos os meios que tornam viáveis as existências dos indivíduos, assim como das sociedades –Ainda que guarde o melhor para os mais ricos. A desigualdade social e o culto a individualidade como caminho para o sucesso imperam como decretos de um rei, e aqueles que não são lobotomizados por esta lavagem cerebral são considerados rebeldes, dissidentes ou subversivos – Parte da Incursão. O crescimento do investimento em tecnologia, extração e refinaria de bens naturais, do controle das massas através de mídias sociais e priorização dos meios econômicos em posse de oligarquias  das quais utilizam este poder para manter a plebe em rédeas curtas gerou, através das décadas passadas, um duplo estado de mal-estar social, onde de um lado tem os que não podem fazer nada para mudar o sistema e o aceitam, e os não aceitam e aguardam ansiosos a morte ou a revolução.

Nas palavras do cientista político russo Käullo Pōgös  :

“A SiRMIS é composta por pelo menos 6 empresas-base, as:

UrbanCorp, Shakai Meta&Media, Bankript , XCorp, Rocketprise,  e Utility Solutions S/A .

A UrbanCorp é uma mega corporação que nasceu por volta de 2038 substituindo as antigas 

corretoras de imóveis ao colocar num app a possibilidade de alugar casas e diversos outros tipos de imóveis usando criptoativos e sem necessidade de mediação. Ao absorver e quebrar os demais concorrentes tradicionais, a UrbanCorp favoreceu muito a criação de empresas de fachada pela facilidade que se havia em alugar qualquer tipo de imóvel sem necessidade de documentação.  A ascensão da UrbanCorp se deve muito aos lucros ilegais extraídos por capitalistas que lucravam com empresas-laranja e reinvestiam parte de seus proveitos nas ações da UrbanCorp, mantendo seus papéis valorizados, o que impedia o colapso da empresa, apesar de não dar lucro nos primeiros 5 anos. Quando a UrbanCorp se tornou um monopólio, ela começou a  construir e administrar cidades privadas. Pouco-a-pouco a UrbanCorp foi se tornando tão influente que os Estados começaram a privatizar as prefeituras para ela, acabando com prefeitos, vereadores e eleições em escala local. Isso se deu por volta de 2049. É ela quem aplica a violência cotidiana da polícia e controla as estruturas judiciárias. Os demais serviços básicos como Esgoto, Saúde e Educação são, em geral, ofertados pela Utility Solutions S/A. Na exploração espacial, por volta de 2094, a UrbanCorp já administra, constrói e estabelece assentamentos e colônias espaciais para a SiRMIS. É, inclusive, ao lado da Rocketprise, a responsável pelos processos de terraformação.



A Shakai Meta&Media foi fundada em 2045 após a junção de duas corporações focadas em mídia menores, a SENZO, que era focada em publicidade e áudio-visual e a KAIZOtech, esta focada em softwares e sites como redes sociais e posteriormente criou a primeira versão de Metaverso totalmente imersiva. Após a incorporação da KaizoTech pela Senzo, foi criada a SHAKAI  Meta&Media, e o primeiro feito notável da gigante asiática foi conseguir juntar todas as redes sociais da terra em uma só, no conceito de SuperApp, cujo nome é "EnterTain!". Esta rede social possui propriedades como compra e venda de itens e alimentos, streaming de vídeos e filmes, suporte à Blogs e Wikis, assim como suporte para Trabalho Remoto. 

   Com o aumento da criminalidade generalizada na terra, em 2096  a Shakai uniu forças com a tecnologia da Rocketprise e o abono militar provido pela UrbanCorp para criarem o Juizado Das Redes ( Nettowāku saibansho) provendo setores do EnterTain para usuários do mundo todo fazerem valer a justiça com as próprias mãos sem sair da privada. Isto foi, sem surpresa alguma, muito bem visto pela SiRMIS como um todo.

Bankript :  A Bankript é a megacorporação que se tornou o Banco Central do mundo. Desde que a UrbanCorp começou a adquirir prefeituras e depois governos provinciais privatizados,  a Bankript foi inovadora ao se tornar o primeiro banco que operava unica e exlusivamente com criptomoedas e criptoativos, ofertando crédito lastreado em moedas estatais. A segurança quase perfeita de seu sistema de transações o Ultrachain, uma evolução do blockchain que possui uma IA avançada que permite estornos em caso de transferências enganosas e com interface humana que passa no teste de Turing, levou a população a preferir as Kriptcoin, a moeda original do Bankript, ao invés das moedas nacionais. Com isso, os governos começaram também a abolir as próprias moedas e a reconhecer a Kriptcoin como liquidadora de contratos. Com o fim dos principais Bancos Centrais, a Bankript foi adquirindo os que sobraram em processos de privatizações. 


Em 2085 ocorre porém o primeiro golpe forte no domínio da Bankript quando “O Diretor”, uma figura misteriosa que se sugere ser um hacker, conseguiu destruir a IA do Bankript e colocar uma IA mais avançada no seu lugar para atender os interesses da incursão, o que fez com que cada cidadão do mundo recebesse 500.000 Kriptcoins. Essa inundação de crédito resultado do ciberataque do Diretor, gerou uma hiperinflação ainda não totalmente controlada. Demorou cerca de 3 meses até o Bankript destruir a IA do Diretor, e restaurar uma versão aprimorada da anterior. Em 2086 a Bankript lançou uma nova moeda, a Dot. Uma moeda nova não inflacionada que, de momento, só a elite utiliza. Atualmente na cotação do dia, 1 Dot é equivalente a 2²¹ Kriptcoin.  Esse ataque do Diretor foi o golpe mais forte no sistema desde a “Queda da Social-democracia”. De resultado do ataque, além da explosão dos índices de pobreza, guerras civis surgiram mundo afora enfraquecendo ainda mais os poucos estados que sobraram.

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