sexta-feira, 31 de maio de 2024

[CONTO] A profecia

 Serra do Lago, 2007.

Esta é uma história de Celso Alencar inspirado no Cenário "Crônicas de Serra do Lago/O Sopro". 



                                      O braço putrefato que Helena arrancara de Agnes, é mergulhado em um aquário pelo padre Francisco, enquanto Jonathan o observa: — Senhor, isso é correto? — perguntou o bandido. 

— Serra do Lago tem mudado bastante — explicou o padre. —, por anos o que travou essa podridão foram às oito famílias, Marjourie era a nata de todas elas, mas agora ela está morta. 

O homem de fé percebeu a hesitação de seu subordinado: — Nenhum bruxo deste século voltou dos mortos, quando acontecer ela unirá as oito famílias de uma vez por todas. 

— Achei que o senhor odiasse os fundadores. 

— Odeio — respondeu Francisco. — do jeito que estão. Agnes foi um ótimo testa de ferro, as coisas vão se acalmar por aqui, então iremos a fase dois sem pressa. 

                                 Enquanto isso, na escola dos fundadores, Helena observa a bizarra decoração digna de um dia das bruxas com seus brilhantes olhos azuis. 

— O dia da profecia? — a loura deixou sua leitura escapar em forma de palavras, ao parar em frente a uma faixa. 

                              — Nunca ouviu sobre? — Sete perguntou e Helena acenou negativamente com a cabeça. — As oito famílias em uma bela noite presenciaram o embate de um anjo e um demônio. 

— E vocês fizeram um pseudo-dia das bruxas em cima dessa lenda? 

Helena perguntou fazendo força para não rir: — Acredite se quiser, bem eu vou ao banheiro. Até depois. — disse o garoto entrando em uma porta. 

— Helena! — Marisa vinda na direção da irmã. — Recebi a ligação dos pais do pessoal, todos eles sumiram! 

— Calma, acabei de falar com o Sete. — explicou à loura, recebendo o abraço da morena como se fosse puramente saudade. 

                            — Mas os outros sumiram, procurei por toda a escola! 

Helena olhou para a feição preocupada de Marisa e olhou para a porta do banheiro masculino: — Faz o seguinte, espera o Sete, eu tenho uma pista de quem sabe onde eles estão. 

— Espera! — Marisa ordenou ao ver sua irmã correr. — Para onde vai?

Helena correu sem dar atenção para Marisa, ninguém percebeu, mas a loura chorava e seu rosto ficava com um tom avermelhado, enquanto aumentava sua velocidade rumo à parte marginal da escola. 

Por lá, havia um grupo de cinco adolescentes reunidos em frente a um latão de lixo, em completo silêncio. 

                            — Estão me esperando? — Helena perguntou chamando a atenção para si. — Isso foi estúpido, é claro que estão. Olha para vocês, quietos e tensos, nunca fizeram isso? 

— Do que essa maluca está falando...

As gargalhadas fantasmagóricas de Helena interromperam uma menina de completar a pergunta: — Eu ameacei o líder de vocês e raptaram meus amigos e depois, me esperaram em uma área isolada da escola, vocês acham que eu sou idiota?! 

— Para falar a verdade. — Helena balbuciou evocando sua espada da luz. — Eu vou gostar do que vou fazer e vou gostar muito. 

 O garoto loiro precisou segurar o gordinho pela camisa, para que ele não fugisse, enquanto Helena partia para o ataque. 

      — Tiago! — brigava ele. — Precisamos lutar aqui, faça o que combinamos! Agora! — o gordinho juntou as mãos e evocou uma magia poderosa, um campo de força protegeu todos os seus amigos. 

— Perfeito, Ana, comece o encantamento! — o loiro ordenou vendo Helena desferir inúmeras espadadas na redoma que o protegia. 

— Vai demorar de dois a três minutos, da pra confiar na barreira? 

— Vou dar o máximo! — Tiago afirmou e assim, a amiga começou a cantar com palavras impronunciáveis. 

— Seus merdas! — Helena gritava. — Tudo que os separa de mim é essa coisa! — ela cuspiu na barreira e voltou a golpear a redoma. 

                                 Quer dizer que você acha história chata? — quem se lembrava era Tiago, do dia em que conheceu Helena. — Eu acho que quem não sabe a história, está fadado a repeti-la. 

— Ela está atacando o campo de força em um único ponto. — outro comentou vendo a loura incansável para entrar. 

— Vou dar tempo para a Ana! — O líder loiro exclamou mexendo em seu colar de pedras vulcânicas e fazendo o movimento de puxão para baixo, com uma força considerável. 

— Ficou maluco?! — Tiago gritou olhando o céu. — Vai nos acertar! 

— E daí? Estamos protegidos. — Helena ouvia-o, enquanto observava três bolas de fogo despencarem do céu e o por isso, ela teve que se afastar da redoma que seu colega de escola criou, rapidamente. 

A magia de Tiago estremeceu com o impacto, porém assim que as esferas tocaram o chão, Helena estava bem mais afastada e arfante. 

— Você viu aqueles saltos? — outra amiga perguntava. — Foi acima da equipe de ginástica, ela é mesmo humana? 

— Claro que é, vocês estão com med...

O líder se interrompeu ao ver Helena segurar a espada da luz em uma posição peculiar: — Tem como ela saber essa magia? — perguntou Tiago vendo-a sorrir. 

— Impossível, é um blefe e de onde ela tiraria forças? — o loiro indagava-se, tentando relaxar seu grupo. 

                                   — Lanterna de Wake! — Helena gritou e instantaneamente, disparou sua espada de luz como um projétil, na direção da redoma que Tiago conjurou. 

O campo de força estava enfraquecido devido ao impacto dos meteoros e se despedaçou jogando seus protegidos ao chão, como se eles tivessem sido levados por uma forte onda. 

— Que magia poderosa. — Ana parou de cantar, para reclamar. 

Helena buscava muito ar para respirar e curvava seu tronco para frente: — São preciso cinco de vocês, para me fazer suar. Geis...

                                              Uma esfera de luz trombou com as costas da loura e a jogou no chão, antes que ela pudesse concluir e depois a esfera se transformou em Jonathan.

— Seria problemático se ela falasse algo. — o bandido falava verificando que a bruxa estava desmaiada. — Fizeram um bom trabalho, eu nunca conseguiria vencer esse monstro. 

Quem tinha presenciado a luta e seu desfecho, era Renan um garoto com quem Helena saia, agora estava escondido. 

— Até mais crianças. — saudou Jonathan. — Foi um prazer. — ele se transformou em esfera junto da loura desacordada e saiu voando da escola, como se nada tivesse acontecido, enquanto os garotos comemoravam a vitória contra uma inimiga formidável. 

                                                                                Continua...


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